terça-feira, março 29, 2005

Façam o favor de sair

(e de passar para o novo endereço http://pontedapedra.blogspot.com/)
1980 foi um ano de muitas crises. Transferido para Lisboa, afastado dos "bons ares do Barreiro", vivia o emprego inseguro na Av. da Liberdade, num período de euforia prenunciador da idade das trevas que se aproximava. Íamos então almoçar muitas vezes à Costa de Caparica (ao Barbas?), um grupo de gazeteiros encartados, o Joãozinho, o Américo, etc. etc. Uma dessas vezes regressávamos já atrasados, chuviscava um pouco, eu ao volante do R16 de serviço e, aí por alturas da Joaquim António de Aguiar com a Artilharia Um, olho para o relógio... já passava da hora de ir fazer um transbordo de crianças para o Instituto Alemão, compromisso que envolvia diversos outros filhos. Não me restou outra solução senão apelar à melhor compreensão dos outros quatro ocupantes para passarem, na qualidade de peões, a deslocarem-se para o destino, perto do Tivoli. Quanto a mim lá fui voando baixinho, Rua de S. Bento abaixo, transportar as criancinhas para o Campo de Sant' Ana.

segunda-feira, março 28, 2005

Viagem à roda do meu nome: De carrinha.

Fiz a primária num colégio chamado Jardim Infantil Luso-Suíço; o mais parecido com mandar as filhas estudar para a Suiça que os meus pais arranjaram. Ia para a escola na carrinha do Sr. Oliveira que tinha como "hospedeira" a D. Arlete (a quem todos nós chamávamos de "Arrelete", sabíamos lá dizer Arlete. ainda hoje não sei se é assim que se escreve, deve ser francês).

O Sr. Oliveira gostava de mim, apesar de eu ser uma terrorista, e convidava-me a sentar à frente, ao pé dele. Eu assim fazia, quase sempre, porque era uma grande distinção. O Sr. Oliveira também tinha a particularidade de, sempre que a viagem ia adiantada em relação aos horários impostos, parar no jardim em frente ao cemitério dos Prazeres e deixar-nos ir brincar por uns 20 minutos, sob a vigilância dele e da D. Arlete. Ele não queria ser, nem era, só o motorista da carrinha. A carrinha do Sr. Vieira nunca teve metade da piada.

Todos os dias, de manhã e à tarde e durante anos a fio, quando eu entrava na carrinha o Sr. Oliveira dizia "Olá Inês, estás cá outra vez?"

quinta-feira, março 24, 2005

Quem gosta?...

... do Bolo (de) Que o Pai Não Gosta?
Gostam todos os que já comeram este bolo, em forma de pão grande, feito com a massa do folar da Páscoa, e que a Avó(?) decidiu denominar desta maneira devido às grandes fatias do mesmo que o Pai consumia (vais com as ovelhas? perguntava ela na brincadeira). O que é certo é que se começou a comer todo o ano, sempre que lá vamos. Dizem que é muito bom com queijo (cruzes canhoto!) e em torradas. Entretanto a Avó continua a abastecer-nos dele, em quantidades apreciáveis, à hora de saída para o regresso, incluindo também a tortazita de chocolate, ou o que dela resta, as laranjas e outras especialidades.
Para quem não sabe, ou não se lembra, vou enumerar o que é/era costume trazer, para além desse bolo: rojões, leitão (o que sobra), torta de chocolate ou com recheio de ovos, nozes, laranjas, pêssegos (em conserva), favas e ervilhas (descascadas e congeladas), coelhos (arranjados e congelados), marmelada, geleia de marmelo, envelopes (recheados), feijão maduro, cerejas, tomates (inteiros congelados), lombo de porco, costoletas, farinheiras, chouriços de carne, e tudo o mais de que não me lembro agora.

segunda-feira, março 21, 2005

É de ir às Almas...

... comer leitão, que é pequeno, tenrinho e bem temperado. Também fomos verificar o desaparecimento da casa das "gafanhotas", onde estava o barbeiro, mesmo no centro da... cidade! Ficam as memórias de jogar ao "abafa", com o Vasco, nos degraus em frente ao alfaiate, pai dele, nas tardes de verão, ou de ver pôr a brôa a cozer, no forno a lenha, lá dentro daquele meandro de níveis e compartimentos (já tinha sido uma pensão), ou da argumentação, com o Toninho?, de quem era mais rico, que para o efeito tinha sentido pejorativo.

quarta-feira, março 16, 2005

Monte Kilimanjaro sem neve e gelo


O monte Kilimanjaro está sem neve e gelo pela primeira vez nos últimos 11 mil anos. Segundo a organização Climate Change, que distribuiu a fotografia aos ministros da Energia e do Ambiente que estão reunidos em Londres para discutir as alterações climáticas, este facto confirma a rápida mudança em curso sobre o maciço vulcânico, que tem 5892 metros e está situado entre o Quénia e a Tanzânia. Posted by Hello

Viagem à roda do meu nome: O chinês

Tinha eu uns seis meses e o meu primo Filipe quase dois anos. Fomos a casa dos meus tios e o Filipe, habituado a ser a coqueluche por ser o mais pequenito, começou a ficar muito incomodado com a atenção que me era dispensada. Preocupado com o seu território, tentou perceber como é que os adultos me chamavam e, às tantas, arriscou indo perguntar aos pais: "aquele bebé chinês hoje dorme cá?"

[isto é o que me contam porque eu não me lembro muito bem]

Estamos no Governo

Pois é, a Zeca e a Xanocas lá estão outra vez em missões de serviço público. A contribuir para a quota das mulheres, digo eu, machista por deformação. Até num Governo de mulheres lá teríamos também uma ministra, estamos cercados. Quanto aos Baptistas estão-lhes sempre reservadas tarefas na área da logística caseira: Por detrás de uma grande mulher está sempre um grande homem?

terça-feira, março 15, 2005

A chegada ao Porto


...
Em 1852, com a estrada Lisboa-Porto finalmente passível de ser utilizada sem grandes problemas - ainda em 1842, já com a nova estrada em construção, existiam troços "aonde a água chegava à barriga das cavalgaduras, por espaço de muitas braças" (uma braça correspondia a 2,2 metros) -, foi possível iniciar o serviço de Mala-Posta entre as duas principais cidades do Reino. Inicia-se assim, em 1855, a carreira da Mala-Posta entre Lisboa e o Porto, a única cuja exploração proporcionou, de facto, resultados proveitosos do ponto de vista económico.
...
Texto completo aqui

De Lisboa a Coimbra


Mala-Posta de Lisboa a Coimbra, 1798.
(Reconstituição a óleo por J. Pedro Roque, 1968) Posted by Hello

segunda-feira, março 14, 2005

Ponte a pé

Lá estivémos a abrilhantar o evento. Para mais pormenores ver aqui.

sexta-feira, março 11, 2005

Mala-Posta de Ponte da Pedra

Vejam aqui, na última linha, uma referência ao local que esteve na origem do nome deste blog. Parece que a Mala-Posta é anterior à Ponte da Pedra, mas passou a ser referenciada pela ponte, após a sua construção. Continuarei a investigar...

quinta-feira, março 10, 2005

Entrar no pesadelo

Primeira porta: Noite de domingo, depois de jantar, saíu de mota, a roncar como de costume. Toca o telefone: o seu filho teve um acidente. Quando cheguei estava estendido no chão, ainda com o capacete, no meio do cruzamento. Voou por cima daquele carro. Eu a espreitar pela viseira: Como é que estás? Estou bem pai. Era verdade!

Segunda porta: Olhava com ansiedade para o écran. Estávamos com aqueles presságios terríveis. O médico calado procurava em vão a vida, num coração a bater, como nos meses anteriores, em sessões em tudo idênticas. Não havia! Prometemos voltar, e voltámos, passados uns tempos, a ver um ponto a palpitar naquele écran, recriando as nossas esperanças.

terça-feira, março 08, 2005

Amor aos pedaços


Chico Buarque (1978)

1. Feijoada completa (Chico Buarque)
2. Cálice( Chico Buarque - Gilberto Gil) Participação: Milton Nascimento
3. Trocando em miúdos (Chico Buarque - Francis Hime)
4. O meu amor (Chico Buarque) Interpretação: Elba Ramalho / Marieta Severo
5. Homenagem ao malandro (Chico Buarque)
6. Até o fim (Chico Buarque)
7. Pedaço de mim (Chico Buarque) Interpretação: Zizi Possi
8. Pivete (Chico Buarque - Francis Hime
9. Pequeña serenata diurna (Silvio Rodriguez)
10. Tanto mar (Chico Buarque)
11. Apesar de você (Chico Buarque)

Pequenos nadas


Sérgio Godinho - Pano-Cru (1978)

1. A Vida É Feita de Pequenos Nadas
2. O Primeiro Dia
3. O Galo É o Dono dos Ovos
4. Balada da Rita (do Filme "Kilas, o Mau da Fita")
5. Venho Aqui Falar
6. Lá Isso É
7. Feiticeira
8. O Homem-Fantasma
9. 2.o Andar, Direito
10. Pano-Cru

segunda-feira, março 07, 2005

Almas censuradas


José Mário Branco - Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades (1971)

1. Abertura (Gare d'Austerlitz)
2. Cantiga para pedir dois tostões
3. Cantiga do fogo e da guerra
4. O charlatão
5. Queixa das almas jovens censuradas
6. Nevoeiro
7. Mariazinha
8. Casa comigo Marta
9. Perfilados de medo
10. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

sábado, março 05, 2005

Discos com histórias

São os do José Mário Branco, do Sérgio Godinho e do Chico Buarque, que adiante veremos. Recusando destinos traçados e controlo por poderes materiais, à procura de mandar na vida e de ser feliz. Muitas das suas canções pertencem-me portanto, os discos deixei-os em outras vidas.

sexta-feira, março 04, 2005

O outro "Malandro"

"O Malandro"
Kurt Weill - Bertolt Brecht (versão livre de Chico Buarque 1977/78)

O malandro/Na dureza
Senta à mesa/Do café
Bebe um gole/De cachaça
Acha graça/E dá no pé
O garçom/No prejuízo
Sem sorriso/Sem freguês
De passagem/Pela caixa
Dá uma baixa/No português
O galego/Acha estranho
Que o seu ganho/Tá um horror
Pega o lápis/Soma os canos
Passa os danos/Pro distribuidor
Mas o frete/Vê que ao todo
Há engodo/Nos papéis
E pra cima/Do alambique
Dá um trambique/De cem mil réis
O usineiro/Nessa luta
Grita(ponte que partiu)
Não é idiota/Trunca a nota
Lesa o Brasil/Do Brasil
Nosso banco/Tá cotado
No mercado/Exterior
Então taxa/A cachaça
A um preço/Assustador
Mas os ianques/Com seus tanques
Têm bem mais o/Que fazer
E proíbem/Os soldados
Aliados/De beber
A cachaça/Tá parada
Rejeitada/No barril
O alambique/Tem chilique
Contra o Brasil/Do Brasil
O usineiro/Faz barulho
Com orgulho/De produtor
Mas a sua/Raiva cega
Descarrega/No carregador
Este chega/Pro galego
Nega arreglo/Cobra mais
A cachaça/Tá de graça
Mas o frete/Como é que faz?
O galego/Tá apertado
Pro seu lado/Não tá bom
Então deixa/Congelada
A mesada/Do garçom
O garçom vê/Um malandro
Sai gritando/Pega ladrão
E o malandro/Autuado
É julgado e condenado culpado
Pela situação

Outra coisa

Estava a contar com uma coisa mais negra, dramática e violenta, com um humor essencialmente irónico. Era assim que imaginava a representação e acho que o filme também transmitiu essa imagem.

Acabou por ser um bocado revisteiro. Eu gostei, mas como se fosse outra coisa que não a "minha" Ópera do Malandro.

[Vamos lá ver se consigo pôr isto a tocar. Copiei quando passou por aqui.]

O Malandro revisitado


Letras e Músicas de Chico Buarque,1979

Melhor que nunca!
Só é pena que a audiência já tenha mais de 50, sinal de que o tempo não pára.
Ah, o amor! Como anda arredado das nossas vidas, ocupadas com coisas fúteis. E o desejo, onde se alimenta? Sim, porque o pecado mora sempre ao lado!

Da Ópera do Malandro, diz-se que é o melhor espectáculo musical: «Tem tudo, humor sem ser grotesco, romantismo, realismo, sentido de oportunidade, política. Esta é que é a Arte Total de Wagner, a total kunst ...», e ainda uma espécie de oráculo sobre os tempos vindouros: «Ali se vê o passado a ser enterrado pelo futuro que se adivinhava – aquele hedonismo marginal a ser substituído por outros ‘malandros’ executivos, com mais poder e mais incompetentes».

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Histórias da minha terra


Rosas no meio do laranjal Posted by Hello

Lá na minha terra, quais irredutíveis gauleses, ainda são de outra côr os de Arcos e ao lado os de Mogofores. Um pouco a sul os de Vila Nova de Monsarros. Longe vão os tempos em que, pela calada da noite, vinha uma carrinha para levar para local desconhecido os que tinham a coragem de ouvir a BBC.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Obrigado a todos!

Como diria uma menina que eu cá sei, agradecendo os aplausos do público após a sua exibição ao microfone. Foram de facto excelentes, que alívio, deste já nos livrámos! Agora o senhor que se segue, nada de desculpas!

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

A Avó perdeu a cabeça!

Vai organizar uma festa (de pijama?) no domingo à noite, a partir das 20 horas (em frente à televisão?). Estava já a preparar-se para fazer uns rojões e ia pôr uma garrafa de espumante no frigorífico. Peço a todos, por favor, que não a desiludam e promovam as condições necessárias a uma comemoração retumbante!...

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

O País está a crescer

Parece que tal crescimento está mesmo a provocar já algum afastamento entre as casas...

A coisa aqui tá preta

"Meu Caro Amigo" Chico Buarque

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando que, também, sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Milagre?

Afinal poderemos estar perante mais um subcapítulo do eterno clausulado (não enclausurado) do Segredo de Fátima (a cujo enredo sempre preferi o do Milagre Segundo Salomé, de José Rodrigues Miguéis).
Tal quarta(?) parte diria qualquer coisa como: "No dia em que a última vidente se juntar a nós, o comunismo português perderá a voz..."
Então e não é que já aconteceu!... Por outro lado o PP, que tinha ido ao funeral, ali estava fresco como uma alface!

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

O "Brilhantinas"

Aparenta sempre que não tem paciência para nos aturar, que não tem vida para isto, sempre que pode mete férias, principalmente no Carnaval, ou 'parte de doente' da hérnia, ou 'licença de nojo' da pastorinha. Para as engatar promete ministérios e sabe-se lá mais o quê. Séculos à espera do 'Desejado' e calha-nos um 'Indesejado'. Ele de facto não existe, foi inventado pelo meu amigo Andrade.

sábado, fevereiro 12, 2005

Outras confusões antigas

Procurando um espaço para estacionar pode suscitar dúvidas em pequenas mentes em formação? Não será uma espaço para espacionar? É que se é para estacionar tem que se procurar um estaço!...
Nesses tempos, nenhuma dessas infelizes crianças, em momento adequado, resistiu a outra dúvida sacramental: "Vai lá dentro à sala ver se eu lá estou!". A curiosidade trazia de volta a inevitável resposta: "Não estás!..."

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

O suspeito do costume

Sou viciada em trocadilhos e a culpa, tal como no infame caso das orelhas desniveladas, é do meu pai.

Uma pessoa - não é - chega à sala ou assim, pergunta: “Já começou o Dallas?” e respondem-lhe: “Não, ainda estão a tirá-las.”. Ora, isto desde tenra idade é coisa para afectar a evolução da morfologia neurológica de um indivíduo, para além de já existir certamente uma predisposição genética.

Assim, ao fim de uns largos anos, as palavras tornam-se motivo de grande desconfiança. Quando o Herman disse “a língua portuguesa é muito traiçoeira”, nós lá em casa já o sabíamos há muito tempo. Então, sub-repticiamente, o hábito entranha-se e caímos também no vício dos trocadilhos. Damos por nós a atazanar os irmãos mais novos:

Eu – Chamaste o elevador?
Ele – Sim.
Eu – Deves ter chamado baixinho, não ouvi nada...
Ele - ...? Ó, já pareces o pai!

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Confusões recentes

Dizia-me ela às quatro e meia da manhã:
"Pai, a febre está torta..."
"O quê?!..."
"Está torta..."
Pensava eu: estará a delirar?
Não, era o termómetro que não estava bem no sítio...

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Terceiro mundo


Incubadora Fevereiro 2005 Posted by Hello

Lê-se mal, mas, por cima do atrelado, lá está: 'INCUBADORA'. No carro jaz o 'BÉBÉ SANTA ANA'. São os episódios hiper-realistas da nossa história possível, endogeneizados pelo povo quase transfronteiriço de Cabanas.
Nos altifalantes a música era a condizer:
'Mamã eu quero, mamã eu quero,
Mamã eu quero mamar.
Dá a chupeta, dá a chupeta,
Dá a chupeta, pró bébé não chorar.'

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Os dois mundos


Ainda na fase Andy Warhol: dois "in's" Posted by Hello

Filha sofre...


Fiat 600 D, idêntico ao adquirido pelo teu pai, em 1970, em segunda mão, por 12 contos, e que foi um autêntico laboratório de aulas práticas de mecânica automóvel Posted by Hello

O teu pai tem as melhores filhas do mundo, mas elas têm sofrido muito. Uma delas, então a única, e com apenas 2 anos (?), que, não sei porque razão (ia talvez passar férias à província), fez uma viagem sózinha com o pai, andava na altura a queixar-se, após uma traumatizante avaria na estrada: "O carro do pai fez ‘pim’...".
Ao partir-se, a correia da ventoínha tinha batido no capot do motor (atrás) do Fiat 600 e feito um ruído mais próximo de 'pum'. Isto por altura de Condeixa, e foi uma odisseia o que aconteceu a seguir.
Ficou o carro na bomba da gasolina, por sorte ali mesmo ao pé, e veio o avô, contrariado, buscar-nos até à Bairrada. No regresso, já com uma nova correia, entretanto comprada em Coimbra, que o teu pai, mecânico de profissão, mas não de automóveis, laboriosamente montou, seguindo, agora sem companhia, de volta à capital.
Acho que ainda hoje aquela cabecinha tem lá, numa prateleira escondida, o registo sonoro de um estampido preocupante.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

O meu pai é o melhor condutor do mundo

Sem exagero nenhum. É a verdade. É assim mesmo.

Um dia, tinha eu uns 14 ou 15 anos, íamos a passar de carro pela Av. João XXI e o meu pai diz: “foi ali que tirei a carta de condução”. Fiquei estupefacta. Nunca me tinha ocorrido: houve alguém que ensinou o melhor condutor do mundo a conduzir! Pensei (e disse?) que esse facto tinha de ser utilizado no marketing daquela escola de condução. Cheguei a pensar que deviam dar um certificado qualquer ao instrutor. Estava determinada a ter ali as minhas aulas.

Mas não. Tirei a carta no ACP. Passei à quarta no exame de estrada. Uma vergonha para alguém com tão bons genes.


quarta-feira, janeiro 26, 2005

Aqui Jazz

Recordando um Jazz em Agosto (quem não se lembra?) aqui vai Jazz directamente do reino da Dinamarca. Bom, não é?...

Frases com história

TUDO TEM UM FIM, SÓ A SALSICHA TEM DOIS (grande mensagem anarquista)
OS RICOS QUE PAGUEM A CRISE (criada quando do decreto que legislou um aumento do custo dos transportes públicos)

quarta-feira, janeiro 19, 2005

Na Ponte a pé


Posted by Hello
Isto foi em 2004. Como de costume estávamos a reunir-nos no segundo pilar, para a fotografia, e o prof. Luís aproveitou para tirar uma vista de conjunto. Já estamos inscritos para 13 de Março 2005!

Ponte da Pedra

Achado o contador, mudado o nome, fica apenas no endereço a ponteape.

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Ribeira da Serra

É assim que se chama "o rio que corre pela minha aldeia". Ontem estive ao pé dele, do "basófias".
Passa por debaixo da Ponte da Pedra. O leito está assoreado, esquecidos que estão os tempos em que o guarda rios alertava para as limpezas necessárias. Obras recentes na ponte, para alargamento da estrada nacional, reduziram a secção de passagem do caudal do rio, o que agora provoca cheias desastrosas na planície a montante.
Já por duas vezes a nossa casa, que considerámos sempre estar ao abrigo de qualquer cheia, ficou com mais que meio metro de água no rés do chão. Da primeira vez foi-se a alcatifa e envernizaram-se os tacos de madeira, da segunda vez foram-se os tacos, agora substituídos por tijoleira, que, deficientemente colocada, tem ondulações que recomendam uma futura substituição quase total.
Antes da ponte existir atravessava-se o rio a vau, pela antiga estrada real. Agora uma fossa pública, com "trop-plein" de descarga de excesso do esgoto para o rio, atravancando essa passagem, já não permite como dantes molhar os pés, lavar a roupa ou simplesmente passar para o outro lado, para a várzea.
A água do poço está obviamente contaminada.
Não sei porque estaremos condenados a pagar assim antecipadamente os custos de um desenvolvimento de que não vemos os frutos.

O rio da minha aldeia

O Tejo é mais belo...

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

(do "Guardador de Rebanhos" - Alberto Caeiro)

domingo, janeiro 16, 2005

Proverbial

Mais vale ser rico e ter saúde do que ser pobre e doente!

sábado, janeiro 15, 2005

A Solução

Um amigo meu há muito tempo pensou uma solução para o País, que apenas por falta de uma adequada divulgação ainda não teve a necessária adesão nacional.
O Governo da Nação deveria, o mais rapidamente possível, ser contratado em regime de outsourcing a uma equipa com provas dadas na matéria (o nome sugerido para a liderar é o do ex-chanceler alemão Helmut Koln). Esta é uma solução equivalente à encontrada para uma gestão eficiente da TAP e que evitou o seu colapso.
De facto o perfil necessário para a obtenção de vitórias eleitorais cada vez se afasta mais da eficiência na condução dos negócios do Estado, pelo que corremos o risco de ficarmos cada vez mais pobres (e infelizes).

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Onde está o contador?

Pois... não sei! Pode ser que reapareça proximamente, quando conseguir descobri-lo escondido por detrás da nova imagem deste blog. Em troca tomem lá música!
Já vamos na terceira versão, para não cansar os visitantes, que vão sempre pensar que se enganaram.

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Os estagiários

Servem para tudo, e alguns nem recebem 10% (link). Uns quantos sobrevivem e não se transformam em exploradores.

sexta-feira, janeiro 07, 2005

Confusões antigas

Umbigo, dois bigos, três bigos...

quarta-feira, janeiro 05, 2005

De Mao a Piao

"Vamos de Mao a Piao" é uma expressão do tempo da "outra senhora", que me veio à lembrança a propósito do país estar parado.


Mao Tsé Tung por Andy Warhol Posted by Hello

Lost in translation

Literal translation of Portuguese popular idioms:

Women and sardines, you want them to be small
Head of rotten garlic
Past waters don't power mills
Dog that barks doesn't bite
From very small the cucumber is bent
It's the color of a donkey on the run
There's a Moor on the coast...
From Spain, neither good wind nor good marriage [will come]
This is too much sand for my truck
Friends friends, business aside
Here they're made, here they're paid
Tell me with whom you hang around, I'll tell you who you are
I'm in the inks
You are here you are eating
Trust the Virgin and don't run...
Go make a turn
You're letting water in...
Monkeys bite me...!
Bad Mary...
He doesn't give one for the box
Don't sand me!
God gives nuts to those who don't have teeth...
Fish don't pull wagons
By the yes by the no...
Rays break me!
If you don't put a stick on yourself...
Donkey's voices don't reach the heavens
Old donkey doesn't learn languages
In a house where there's no bread, everyone shouts and no one is right
At night all cats are gray
There's no beauty without an if

(at http://tagide.com/pt-idioms.html)

O único rato...

...que não abandona o navio, e continua cabeça de cartaz.


Mickey Mouse por Andy WarholPosted by Hello

Minuciosa formiga

Minuciosa formiga
não tem que se lhe diga:
leva a sua palhinha
asinha, asinha.
.
Assim devera eu ser
e não esta cigarra
que se põe a cantar
e me deita a perder.
.
Assim devera eu ser:
de patinhas no chão,
formiguinha ao trabalho
e ao tostão.
.
Assim devera eu ser
se não fora não querer.
.
(Alexandre O'Neill)

Alexandre O'Neill

Alexandre Manuel Vahia de Castro O'Neill de Bulhões, nasceu em Lisboa a 19 de Dezembro de 1924 e morreu a 21 de Agosto de 1986. O seu pai, António Pereira de Eça O'Neill de Bulhões era empregado bancário, e sua mãe Maria da Glória Vahia de Castro O'Neill de Bulhões, doméstica.
Inicia os seus
estudos em 1932. Em 1946 sai de casa dos pais devido a conflitos familiares e vai viver para casa do tio materno. Em 1948 surgem as primeiras manifestações públicas de interesse pelo fenómeno poético. O'Neill surge então como um dos fundadores do Movimento Surrealista de Lisboa.
O'Neill, tal como a maioria dos artistas portugueses não pôde viver da sua Arte. Afirmava «viver de versos e sobreviver da
publicidade». Vasto foi o seu currículo, onde constam diversas colaborações para jornais, revistas, televisão etc.
Segundo rezam as biografias, O'Neill conquistava facilmente corações. Eis uma precária biografia dos seus amores e desamores:
Conheceu em finais de 1949 (a par do começo da aventura surrealista)
Nora Mitrani, o seu amor dorido. A 27 de Dezembro de 1957 casa com Noémia Delgado e cerca de dois anos depois nasce o filho do casal - Alexandre Delgado O'Neill. Divorciam-se em 15/01/1971.
Em Agosto do mesmo ano casa com Teresa Patrício Gouveia e em 1976 nasce o seu segundo filho - Afonso. O divórcio acontece em 20 de Fevereiro de 1981.
Entre 1980 e 1986, O'Neill viveu mais uma paixão que o acompanhou até ao últimos dias da vida - Laurinda Bom.
(em
http://www.citi.pt/cultura/literatura/poesia/oneill)

terça-feira, dezembro 28, 2004

Filhos de um Deus menor

Andam como sonâmbulos, com os pés na lama, corpos sem vida nos braços, outros espalhados na praia, e olham para os destroços como quem não acredita.
Nas varandas e nos andares superiores dos hotéis os que estão bem na vida filmam e fotografam a tragédia, que vêmos confortáveis nos nossos sofás, em frente à lareira, em écrans LCD ou plasma.
Estes povos sem futuro, os seus velhos e as suas crianças espiam assim os nossos pecados?

Não ao desemprego

A Administração da CGD talvez prevenida que os subsídios de desemprego e de doença só iam ser pagos em Janeiro resolveu voltar atrás na sua anterior decisão de se demitir? Essa informação não se veio a confirmar mas a decisão estava tomada e para quê criar mais instabilidade?

quinta-feira, dezembro 23, 2004

A golpada

Diz o ministro do governo demissionário: "agarrem-me que eu demito-me".

E o primeiro-ministro está condenado a dar "total confiança" à campanha eleitoral que os ministros do PP descoligado já começaram a fazer aproveitando-se desses mesmos cargos.

quarta-feira, dezembro 22, 2004

Vista de Lisboa


Largo do Rato, com o Tejo ao longe Posted by Hello

terça-feira, dezembro 21, 2004

O Meu Barbeiro

Não pode escolher os clientes. É como os políticos do centrão, tem que agradar a todos. Mesmo aos que sprintam desesperadamente arrastando o filho pela mão para saltar para a cadeira que está livre. Tem marcação? Tem é que ir apanhar o avião para a República Dominicana e ainda tem compras para fazer. Ao telemóvel todos ficámos a saber. E o filho que nunca mais acaba de cortar e no fim tem que voltar para trás por causa do boné esquecido. O senhor engenheiro desculpe mas ele anda sempre assim com pressa. Mas olhe que se não tivesse arranjado lugar para si tinha que se levantar mesmo com a cabeça molhada. Oh senhor Pinto, por amor de Deus, eu podia esperar...

segunda-feira, dezembro 20, 2004

O mundo visto do Colombo - A Era da Retoma

O parque de estacionamento está cheio. Os relógios na Swatch desaparecem ao ritmo a que passam os cartões de crédito. Já esgotou a História da Beleza na Fnac. Na Worten têm que ir buscar as (últimas?) Power Box ao armazém. Estamos a gastar demais, a comprar coisas a mais. Consumimos como se estivessemos ricos de repente, e não estamos. Temos apenas as dívidas mais distribuídas pelos diversos cartões...
.
A nossa balança comercial está um desastre, importamos tudo o que estamos a comprar. Não produzimos nada que se venda a bom preço no estrangeiro.

Hábitos de consumo dos portugueses dependentes da oferta exterior
Desequilíbrio externo dispara em 2004

Mas estamos a viver a invisível retoma, a caminho das eleições. Durante quanto tempo? Até ao Carnaval? À Páscoa?

Garantia do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações

quarta-feira, dezembro 15, 2004

Voltando ao Mexia

(Não o que está sempre calado, o outro) Afinal o homem não queria fazer passar o TGV na Ponte, só procurava argumentos para explicar ao povo porque é que a boa solução era muito mais cara. Ouvido isto há minutos, ao vivo, da boca dele, não sei se chore, não sei se ria, não sei se fique por aqui... (parafraseando um conhecido guru da nossa actualidade ultra mediática)

Norman Foster Connection

Ora aqui está quem também gosta de coisas altas que vão(?) ser plantadas em Santos. Mas Alcântara também vai ficar cheia de torres (afinal já não vai) a fazer sombra à nossa Ponte. É o que faz não lhes terem dado Legos em pequeninos.

Uma "escultura na paisagem"

Gosto mesmo destas coisas:

"A ponte mais alta do mundo, localizada no Sul de França, foi inaugurada ontem pelo Presidente da República do país, Jacques Chirac. O viaduto, construído em tempo recorde, tem um comprimento de perto de 2,5 quilómetros e atinge uma altura de 343 metros, mais do que a Torre Eiffel, em Paris."

"Concebida pelo arquitecto britânico Norman Foster, a ponte faz a ligação por auto-estrada entre o maciço central francês e a fronteira espanhola, permitindo descongestionar o trânsito no Sudoeste de França, sobretudo durante o Verão."

[aqui]

sábado, dezembro 11, 2004

Anadia já é cidade

Desde o dia 9 de Dezembro de 2004. Deixei de ser um vilão, passei a ser um citadino?

sexta-feira, dezembro 10, 2004

A Situação Política

"Não há ausentes sem culpas, nem presentes sem desculpas"

Daqui desta Lisboa

Daqui, desta Lisboa compassiva,
Nápoles por Suíços habitada,
onde a tristeza vil, e apagada,
se disfarça de gente mais activa;
.
Daqui, deste pregão de voz antiga,
deste traquejo feroz de motoreta
ou do outro de gente mais selecta
que roda a quatro a nalga e a barriga;
.
Daqui, deste azulejo incandescente,
da soleira da vida e piaçaba,
da sacada suspensa no poente,
do ramudo tristôlho que se apaga;
.
Daqui, só paciência, amigos meus!
Peguem lá o soneto e vão com Deus...
.
(Alexandre O'Neill)

Ainda mais novo

Que o pai da Madalena, era o pai da Elsa. Muito parecidos.


quinta-feira, dezembro 09, 2004

Querida Madalena:

Já o teu avô dizia, nos idos de 80, que se musicassem os programas curriculares de Matemática, Geografia, História e outros, eu seria a melhor aluna de todos os tempos. Como ninguém se lembrou de o levar à prática, fiquei-me por razoável aluna de inglês. É verdade que tenho uma certa pancada por letras de músicas.

Por outro lado, também não é lá muito original dedicar-te estes versos. Mas o que realmente interessa é que constituem a melhor formulação dos meus desejos para a tua vida.

May God bless and keep you always,
May your wishes all come true,
May you always do for others
And let others do for you.
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.
May you grow up to be righteous,
May you grow up to be true,
May you always know the truth
And see the lights surrounding you.
May you always be courageous,
Stand upright and be strong,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.
May your hands always be busy,
May your feet always be swift,
May you have a strong foundation
When the winds of changes shift.
May your heart always be joyful,
May your song always be sung,
May you stay forever young,
Forever young, forever young,
May you stay forever young.
[«Forever Young», Bob Dylan]

quinta-feira, dezembro 02, 2004

Deixem-nos trabalhar?


segunda-feira, novembro 29, 2004

Avé Madalena!

Já nasceu! Agora ninguém a segura.

Que um fraco Rei faz fraca a forte gente

Ouvi um discurso do primeiro-ministro (não foi de propósito) em que o próprio se comparou a um prematuro numa incubadora a quem os irmãos mais velhos tratam ao murro e ao pontapé, quando se esperaria que o acarinhassem. Sem dúvida o choradinho mais imaginativo de sempre; a merecer a melhor atenção dos cartoonistas do país.

sábado, novembro 27, 2004

Ar puro


Há um rapaz pequeno, também um gajo giro, que descobre sítios destes em Lisboa. Posted by Hello

Ainda não estais farta ó forte gente?

«Do justo e duro Pedro nasce o brando
(Vede da natureza o desconcerto!),
Remisso e sem cuidado algum, Fernando,
Que todo o Reino pôs em muito aperto;
Que, vindo o Castelhano devastando
As terras sem defesa, esteve perto
De destruir-se o Reino totalmente;
Que um fraco Rei faz fraca a forte gente.
...
Luis de Camões, Lusíadas, Canto III, 138

sexta-feira, novembro 26, 2004

E agora

Para não ser só comboios para lá e comboios para cá, deixo aqui a foto dum gajo giro que, por acaso, até me faz lembrar outro gajo giro que está para ser pai:

segunda-feira, novembro 22, 2004

Nos carris vão dois comboios parados...

...
“… A ponte é uma passagem
P’ra outra margem
Desafio pairando sobre o rio
A ponte é uma miragem …”
...
Jafumega in “Ribeira”, Lado B do Single “Dá-me Lume” 1980

sexta-feira, novembro 19, 2004

Não havia cordas

Vai ali à Inês e vê se àcordas (a acordas).
Inês...há cordas?...Inês....

Deus está em todo o lado!

Estou-te a ver...estás ao colo da tua mãe...

sexta-feira, novembro 12, 2004

Quadras do Aleixo

Após um dia tristonho,
de mágoas e agonias
vem outro alegre e risonho:
são assim todos os dias.

Quem prende a água que corre
É por si próprio enganado;
O ribeirinho não morre,
Vai correr por outro lado.

quinta-feira, novembro 11, 2004

Recordando um São Martinho em 1965

O Magusto:
No dia de São Martinho, 11 de Novembro, o Magusto, que tradicionalmente começava no Dia de Todos-os-Santos, assinala a chegada do Outono, do tempo frio e a proximidade da época natalícia (Dos Santos até ao Natal, é um saltinho de pardal).
Ligado a um ritual de origem religiosa, o dia do Santo Bispo de Tours (São Martinho), está historicamente associado à abertura e prova do vinho da última vindima (No dia de São Martinho vai à adega e prova o vinho).
Neste dia, assam-se castanhas, bebe-se vinho, água-pé e jeropiga, e há quem o faça à volta de uma fogueira ao ar livre.

O Verão de São Martinho:
Num dia tempestuoso, ia São Martinho, então valoroso soldado romano, montado no seu cavalo, quando viu um mendigo, tremendo de frio, que lhe estendia a mão suplicante. São Martinho não hesitou, parou o cavalo, e com a espada cortou ao meio a sua capa de militar, dando metade ao mendigo. Apesar de mal agasalhado e sob chuva intensa, preparava-se para continuar o seu caminho, quando, subitamente, a tempestade se desfez, o céu ficou límpido e um sol de Verão inundou a terra de luz e calor. Deus, para que não se apagasse da memória dos homens o acto de bondade praticado pelo Santo, todos os anos, nesta mesma época, faz cessar por alguns dias o tempo frio e o céu e a terra sorriem com a benção dum sol quente e miraculoso.

(Adaptado de Magusto - S. Martinho )

quarta-feira, novembro 10, 2004

Argumentando em Maio de 1974

Emigração

Quando no silêncio das noites de luar
ia uma estrela pelos céus a correr
dizia minha mãe de mãos erguidas
Deus te salve por bem


Desde então quando vejo que um homem
deixa a terra onde infeliz nasceu
e fortuna busca noutras praias digo
que te leve Deus também

Não o acuso coitado não o acuso
nem lhe rogo pragas nem castigos
nem de que é dono de escolher, me esqueço
o que lhe convier

Porque quem deixa o seu país natal
e fora dos seus caminhos põe os pés
e se troca o certo pelo incerto
motivos há-de ter


(Poema de Curros Henriquez, cantado por Adriano Correia de Oliveira, com música de José Niza)

terça-feira, novembro 09, 2004

Aos princípios

Verdade - a sucessiva procura da verdade, saber questionar as verdades que nos impingem, ser coerente não basta.
Liberdade - de cada um determinar a sua vida, assumir a responsabilidade para poder ser livre, não se deixar condicionar pelo politicamente correcto.
Justiça - as regras da sociedade, somos um produto da sociedade, aprender a viver com os outros, não ser como o homem invisível, as pessoas valem por si e não apenas enquanto são úteis.

Ao fim da tarde é uma estopada ouvir os princípios que devem orientar a educação dos filhos, mas sai-se com a cabeça cheia...

Passeio de bicicleta


Trrrim, trrrim, trrrim, olhem para mim,
a andar de bicicleta.
Já não preciso de ir para a escola,
nem a pé, nem de camioneta. Posted by Hello

quarta-feira, novembro 03, 2004

Nunca fui a São Petersburgo


State Hermitage Museum Posted by Hello

Os filhos crescem num instante

É por aquela notícia no jornal ou esta deliberação no DR que fico a saber que elas já não são aquelas meninas no parque do Alvito. Há muito que tinha esta percepção de que o tempo passa aos saltos. Hoje deu outro salto!...

terça-feira, novembro 02, 2004

Fomos comer leitão

Mas fomos de carro. Aproveitámos e comemos também torta de chocolate, bolo de noz (leva uma chávena de óleo), leite-creme, lombo de porco, arroz de tomate... Isto no intervalo de seis horitas. Como vínhamos levezinhos, trouxemos umas toneladas de nozes (que até foi um problema levar aquilo escada acima) e um bolo-que-o-pai-não-gosta. Entretanto debatemos longamente os malefícios da alimentação McDonald's.

sexta-feira, outubro 29, 2004

Já poderemos ir comer leitão de TGV


Lá vai o TGV a acelerar entre Soure e a Pampilhosa. Mas que chic... Posted by Hello

TGV sobre 2, e o que adiante se verá

Down grade, que expressão poderia qualificar melhor a nossa situação. Teremos um TGV que anda à velocidade dos actuais comboios Alfa, e de vez em quando acelera, qual Ferrari na EN125. Que bom!
...
Governo põe o pé no travão

quinta-feira, outubro 28, 2004

O TGV na Ponte 25 de Abril - Ficção e realidade ou a teoria da bi-bitola

Há ideias que nem vale a pena fixar, por tão falhas de bom senso. Mas a dificuldade dos idiotas é que não conseguem parar de ter ideias. Sobre o traçado do TGV e as questões da bitola vale a pena ler o que diz o Prof. António Brotas para se compreender como ainda estamos longe de pensar o nosso desenvolvimento com realismo (falta de tola).

No verão passado


Para lavar os olhos, e recordar que já estamos no Outono, a caminho do Natal, aqui está uma imagem da Ria Formosa num dia quente do Verão passado. Posted by Hello

domingo, outubro 24, 2004

Que horas são?

Faltam dez réis para meio tostão!
Há expressões que nos fazem recordar que somos mais antigos.

sábado, outubro 23, 2004

Um homem não chora!...


Um Batman por vezes parece que chora mas está apenas a suar.Posted by Hello

Na lista negra


Diz a zebra para a mosca: "Estás na minha lista negra"... Posted by Hello

sexta-feira, outubro 22, 2004

Receita da Avó


Querem um bolinho não é? Posted by Hello

Túnel ferroviário de Campolide

«Problema estrutural detectado pelo LNEC acarreta risco de abatimento

err...sugerem-me alguma coisa? pézinhos de lã?

quinta-feira, outubro 21, 2004

Então o TGV não era para ir mais depressa daqui para fora?

Mesmo considerando que o TGV é uma prioridade, António Mexia questiona: "vamos ter um TGV ao lado (da actual linha de caminho-de-ferro) que custa 4.400 milhões de euros, para quê? para ter 15 por cento de quota?".
TGV na Ponte 25 de Abril, ora aí está um must. Para mim só a Ponte a pé!

Personal trainers... digo... teachers

«Se há professores no Ministério da Educação com horário zero, porque não podem assessorar juizes no Ministério da Justiça?» disse PSL. De facto já é demasiado evidente a falta de formação dos juizes.

quarta-feira, outubro 20, 2004

Colectânea de argoladas desordenadas - Parte I

Morais Sarmento defendeu limites à independência da RTP (como se ainda não houvessem)

Souto Moura criticou o MP no caso Casa Pia (em frente ao espelho?)

António Mexia recua nos benefícios ao passe (não sei se passe ou se não passe)

Gomes da Silva disse que havia uma cabala Expresso, Público, MRS (mas que não tinha provas)



No país dos pategos

A Repsol (Espanha) comprou o Complexo Petroquímico de Sines (Portugal) à Borealis (Finlândia) e ninguém diz nada?!...

quarta-feira, outubro 13, 2004

O mundo visto do Colombo - A Era dos decotes generosos

Interesso-me pelo mecanismo que transmite a moda informal fora do circuito convencionado das colecções dos costureiros e das revistas da especialidade. O facto é que todas as mulheres andam agora com uns decotes muitíssimo interessantes. Depois da Era do casaco atado à cintura tapando o rabo esta fase sugere uma alternancia do tipo tapa-destapa. Prefiro esta versão, mas estou já atento para detectar o surgimento e a propagação da próxima evolução, fenómeno de mimetismo extraordinário.

terça-feira, outubro 12, 2004

O Banho

Roy Lichtenstein tem de ser um herói das artes plásticas para quem gosta muito muito de banda desenhada, comics e bonecos em geral, como, digamos, por exemplo, eu. Há outros (como o Escher e o Gaudi – admito que a associação dos três exista apenas na minha cabeça) mas agora vinha falar do Lichtenstein. Tem, desde logo, a vantagem do nome que, mesmo para pessoas que nunca se lembram dos nomes (assim de repente só me ocorre a pessoa do exemplo anterior), é fácil de fixar.

Sempre que vejo o original de um quadro do Lichtenstein, coisa que me aconteceu pela segunda vez na vida há uma semana atrás, fico a olhá-lo durante meia hora (exagero), fascinada por constatar que existe realmente óleo e tela naquele quadro. Aquilo não é um print saído de uma impressora a cores. Extraordinário.

[mais uma vez faço notar que associar "o banho" a "lichtenstein" não é coincidência]


sábado, outubro 09, 2004

Parabéns

Nós as duas.

quinta-feira, outubro 07, 2004

A outra esquerda

No final de cada viagem repetia sempre a mesma frase ao microfone: “saída pela esquerda, por favor”, enquanto se certificava que as suas indicações eram seguidas no abandono dos lugares. Apercebendo-se de duas ou três pessoas que pretendiam sair pelo lado direito, repetiu: “saída pela esquerda, pela esquerda, por favor” mas nada, não surtiu efeito. Até que adoptou a via que se veio a revelar eficaz, fazendo-se ouvir pelos altifalantes: “saída pela outra esquerda, por favor”.

[Este post não é uma historieta passada na montanha russa «wild wild west» do parque da «Warner Bros»; é obviamente uma metáfora sobre o novo partido socialista.]

quarta-feira, outubro 06, 2004

O Parque

No Sábado experimentei a pior montanha russa onde já alguma vez andei, de seu nome «stunt fall». Quer isto dizer que andei na melhor montanha russa de todas as que conheço. Há que estar a par do meu currículo nesta matéria para saber que esta apreciação vem de uma especialista. No entanto, receio ter sido parcialmente sugestionada por um elemento psicológico, o que é contrário aos meus rigorosos critérios de avaliação. Sucede que a viagem anterior à minha foi interrompida a meio – repito: a meio - e que, sob o meu olhar atento, todos os “passageiros” foram evacuados. Claro que os funcionários repetiam: “é normal, rotina” mas o número de interessados naquela atracção decresceu de forma acentuada. Eu fiquei e fiquei com a impressão de ter andado na melhor montanha russa de sempre.