JOAQUIM: Por aqui passo. Também costumo estar Debaixo da Ponte ou parar na Ponte a Pé. Volto sempre à Ponte, que é onde eu estou bem, e raramente lá passo a pé. Entretanto muita água vai passando, debaixo da Ponte da Pedra.
INÊS: Os meus posts serão arbitrários, preconceituosos, incoerentes e peremptórios. Quando forem (ou seja: quando eu achar que são). Quando não forem queiram desconsiderar esta advertência.
quinta-feira, junho 30, 2005
São cinco!
De onze em onze

Canaletto (Giovanni Antonio Canal), The Campo di Rialto, 1758-63
Aos 22, já estava casado, uma filha pequena (outra viria encantar-me um ano depois), vivia em Campolide, quase a acabar o curso, part-time nos CTT (não era a colar selos)
Aos 33, outra vez casado, T1 na Graça, mais um bébé, um rapaz, a ver os eléctricos a passar, trabalhava na ferrugem (também faziam comboios em inox)
Aos 44, definitivamente ajuntado, outro menino, bem comportado, apartamento desafogado no Infantado, andava pelas feiras (nada que se compare com ciganos)
Aos 55, ajuntamento continuado, prometendo eternizar-se, “chalet” na Ponte, mais uma menina rabina, metido em engenharias (aspirando a empresário)
segunda-feira, junho 27, 2005
Nos desenhos da Escola
sexta-feira, junho 17, 2005
Da minha aldeia

Sandro Botticelli, Birth of Venus, 1482 (Andy Warhol )
Da minha aldeia veio quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe
de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
Alberto Caeiro ou Fernando Pessoa - O Guardador de Rebanhos
sexta-feira, junho 03, 2005
Na fase holandesa
quinta-feira, junho 02, 2005
quinta-feira, maio 19, 2005
Twilight zone
Recebi ontem uma carta da Polícia de Segurança Pública, Comando Metropolitano de Lisboa, com o seguinte teor: “Informa-se V. Exa. que relativamente ao acidente de viação ocorrido no dia 14SET04, em que foram intervenientes os veículos com as matrículas [nunca-ouvi-falar] e [a-do-meu-carro], poderá V. Exa. reclamar os danos na companhia seguradora Real Seguros onde a viatura por vós indicada se encontra segura sob a apólice nº 90308142 (...).”.
Pergunto: será possível sermos intervenientes em acidente de viação, participarmos a matrícula do outro à Polícia, e ainda assim não nos lembrarmos de nada? Para não falar da ausência de escoriações no nosso veículo...? hmm, não me parece.
Twilight zone (preâmbulo)
Há seis anos, recebi uma carta do Comando da PSP de Angra do Heroísmo na qual se solicitava a identificação do condutor que, no dia 05 de Fevereiro de 1999, pelas 09h12m, conduzia o veículo com a matrícula daquele que era então meu carro, em Grota do Vale, S. Bento, Angra do Heroísmo, e em excesso de velocidade.
Respondi esclarecendo que: “nunca o referido veículo circulou em Angra do Heroísmo (ou em qualquer outro local dos Açores), conduzido por quem quer que fosse.”.
segunda-feira, maio 16, 2005
MBO
quinta-feira, maio 12, 2005
Donna Maria
quarta-feira, maio 04, 2005
Curiosidade
Pergunta um miúdo para outro: "Lá na tua casa tens criada ou tens avó?"
sexta-feira, abril 29, 2005
O fabuloso mundo da audimetria (3)
O fabuloso mundo da audimetria (2)
O fabuloso mundo da audimetria
São mil os lares portugueses sujeitos à medição das audiências de televisão. O meu é, desde sexta-feira passada, um deles.
Fui submetida a interrogatórios extensos, abrangendo todos os aspectos da minha vida, em duas entrevistas telefónicas e mais duas entrevistas presenciais. Tem animais domésticos? Plantas? Familiares ou amigos empregados em canais de televisão? E muitas outras mais complicadas. Tinha esperança de chumbar em algum requisito mas não. Nem serviu de nada dizer “olhe que eu quase não vejo televisão”.
Houve duas advertências que me fizeram querer mandar esta minha colaboração graciosa para as urtigas: “não terá de suportar quaisquer custos” (devo agradecer a quem?); e “temos de abrir o televisor e o vídeo mas o nosso equipamento não danifica os aparelhos nem afecta a qualidade da transmissão.” (não me diga que vai ser possível continuar a ver televisão?). Mas calei-me e o processo seguiu em frente. Outras questões menores como não poder mudar de casa, nem de televisor, nem alterar o número de residentes no lar, não me preocuparam demasiado.
A instalação demorou cerca de duas horas e meia. Consegui negociar o especial favor de não assistir à montagem do equipamento, embora não tenha sido possível furtar-me a receber, de imediato, explicações detalhadas sobre o seu funcionamento: accionamento, identificação do telespectador e tudo o resto que já não me lembro.
Fica de aviso para o caso de receberem uma chamada da Marktest e também para que se saiba que os dados das audiências são obtidos à custa do esforço e dedicação de cidadãos anónimos.
segunda-feira, abril 25, 2005
Liberdade (hoje na avenida)
[Esperar uns 20/30 segundos, até começar a ouvir as botas a marchar na gravilha.]
quarta-feira, abril 20, 2005
I love you, you pay my rent... (é fácil, ele é assim fácil)
terça-feira, abril 19, 2005
Hoje como Ontem
segunda-feira, abril 18, 2005
Olha, alembrou-se-me
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir
de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra
(in «Nobilíssima Visão», Mário Cesariny)
Pastelaria
O que fazer quando os únicos bolos que se consegue identificar são palmiers e mil-folhas, e não nos apetece nem uma coisa nem outra? E quando se confunde sistematicamente merendinhas com milanezas, tendo, porém, a certeza que não gostamos mesmo nada de uma das referidas variedades? Aponta-se, claro. Não há problema nenhum.
Assim fiz eu: dedo esticado do lado de cá da vitrina. Depois desinteressei-me do processo de embrulho e fiquei a olhar para o ar. Até que, ao meu lado, uma voz preocupada murmurou: “a senhora não pediu uma pata de veado, pois não?”. “Err... eu queria um destes aqui” – voltei a apontar. “Pois, um jesuíta. É que o empregado está a embrulhar-lhe uma pata de veado”.
A solução, parece-me, passa por descer mais um quarteirão e comprar uma sandes.
domingo, abril 17, 2005
Viagens – Hong-Kong, Macau, Pequim, Xangai, Cantão (China)

Foram quinze dias fora do mundo (em 1998). Ainda hoje recordo como se tivesse sido um sonho. Começou mal, logo à chegada a Pequim fomos enganados pelo taxista, à boa maneira dos do aeroporto de Lisboa. Fomos por convite, e aproveitando o apoio, dos tios, então exilados em Macau, em vésperas do fim do Império (e não estou a falar do café ali na Alameda D. Afonso Henriques) que prepararam um roteiro excepcional para forasteiros, com todos os pormenores necessários. O apoio concretizou-se mesmo no aspecto material, quando na recta final, ao comprar um colar de pérolas, faltou saldo no cartão de crédito o que obrigou à intervenção pronta da financeira da família, algo constrangida (?) com a penúria dos convidados.
sexta-feira, abril 15, 2005
Lombos brancos
segunda-feira, abril 11, 2005
Viagens - Sun City ou A questão racial

Numa das minhas muitas viagens à África do Sul, nos finais dos anos oitenta, antes da libertação de Nelson Mandela, resolvi num sábado ir a Sun City. Costumava ficar no Landrost Hotel, depois Holiday Inn, em Joanesburgo. Ao fim de semana percorria os locais turísticos, tipo Centros Comerciais (East Gate, Sandton), Gold Reef City, o Museu, que até era perto do hotel. Naquele dia resolvi ir mais longe (400Km?) até a um protectorado chamado Bophutatswana onde estava esse paraíso do jogo e do espectáculo. Era mais ou menos no meio do deserto que estava aquela cidade artificial, e lá gastei uns rands nas slot machines, vi as vistas e à tarde regressei a penates.
Ao atravessar uma cidade no caminho de regresso excedi a velocidade limite de 50 Km/h, na avenida principal (ía a 62 Km/h). Fui convidade pelos agentes, de aspecto alemão, a ir ver a foto com a indicação da velocidade, a uma roulote umas centenas de metros antes, onde no sistema informático identificaram o dono do carro e a morada, e me entregaram o papel da multa. Tinha 30 dias para pagar senão o carro seria apreendido. Lá continuei viagem sem mais percalços e cheguei já de noite ao hotel. Ao jantar, no excelente restaurante do hotel, puxei do papel para analisar o conteúdo e tropeço no item raça (race?) e estava lá manuscrita uma palavra que eu lia BLACK. Li e reli e de regresso ao quarto olhei-me bem ao espelho. De facto estava queimado da praia (estávamos em Setembro), também tinham verificado que era português, e comecei a achar que tinham feito de propósito para me chatear. Nunca me dei bem nos contactos com os polícias que me mandam parar na estrada. Tentei ligar para a esquadra, mas qual?, e tropeçava num linguarejar estranhíssimo, o afrikaans, misto de alemão e holandês, completamente incompreensível. Desisti e fui dormir. Na 2ª feira, não resisti a contar a história na empresa onde estava a outro português residente há muitos anos naquelas paragens. Pediu-me o papel e depois de ler esclareceu, a rir, aqui diz BLANK, que é branco em afrikaans. Foi assim que voltei a ser branco outra vez, definitivamente!
sexta-feira, abril 08, 2005
quarta-feira, abril 06, 2005
Um olhar fulminante
sexta-feira, abril 01, 2005
Viagens – Kruger Park (África do Sul)

Em 1987, eu e a minha senhora, passámos três dias na selva. A primeira noite ficámos num bungalow, no interior de um acampamento junto ao Rio dos Elefantes, perto da fronteira com Moçambique. O tratamento era de encantar, os relvados e jardins magníficos. No dia seguinte estávamos prontos às cinco da manhã para tentar ver os animais antes do nascer do sol.
Viagens - Reykjavik (Islândia)

Em meados dos anos 80, em Dezembro, um pouco antes do Natal, chegámos, eu e o Américo, ao aeroporto da Portela, de regresso da Islândia, com 10 quilos de bacalhau cada um, em embrulhos muitos bem empacotados. Foi fácil passar na alfândega sem mais diligências, bastou anunciar o conteúdo para que o funcionário sorrindo nos desejasse um bom jantar de Natal.
terça-feira, março 29, 2005
Façam o favor de sair
segunda-feira, março 28, 2005
Viagem à roda do meu nome: De carrinha.
Fiz a primária num colégio chamado Jardim Infantil Luso-Suíço; o mais parecido com mandar as filhas estudar para a Suiça que os meus pais arranjaram. Ia para a escola na carrinha do Sr. Oliveira que tinha como "hospedeira" a D. Arlete (a quem todos nós chamávamos de "Arrelete", sabíamos lá dizer Arlete. ainda hoje não sei se é assim que se escreve, deve ser francês).
O Sr. Oliveira gostava de mim, apesar de eu ser uma terrorista, e convidava-me a sentar à frente, ao pé dele. Eu assim fazia, quase sempre, porque era uma grande distinção. O Sr. Oliveira também tinha a particularidade de, sempre que a viagem ia adiantada em relação aos horários impostos, parar no jardim em frente ao cemitério dos Prazeres e deixar-nos ir brincar por uns 20 minutos, sob a vigilância dele e da D. Arlete. Ele não queria ser, nem era, só o motorista da carrinha. A carrinha do Sr. Vieira nunca teve metade da piada.
Todos os dias, de manhã e à tarde e durante anos a fio, quando eu entrava na carrinha o Sr. Oliveira dizia "Olá Inês, estás cá outra vez?"
quinta-feira, março 24, 2005
Quem gosta?...
segunda-feira, março 21, 2005
É de ir às Almas...
quarta-feira, março 16, 2005
Monte Kilimanjaro sem neve e gelo

O monte Kilimanjaro está sem neve e gelo pela primeira vez nos últimos 11 mil anos. Segundo a organização Climate Change, que distribuiu a fotografia aos ministros da Energia e do Ambiente que estão reunidos em Londres para discutir as alterações climáticas, este facto confirma a rápida mudança em curso sobre o maciço vulcânico, que tem 5892 metros e está situado entre o Quénia e a Tanzânia.

Viagem à roda do meu nome: O chinês
Tinha eu uns seis meses e o meu primo Filipe quase dois anos. Fomos a casa dos meus tios e o Filipe, habituado a ser a coqueluche por ser o mais pequenito, começou a ficar muito incomodado com a atenção que me era dispensada. Preocupado com o seu território, tentou perceber como é que os adultos me chamavam e, às tantas, arriscou indo perguntar aos pais: "aquele bebé chinês hoje dorme cá?"
[isto é o que me contam porque eu não me lembro muito bem]
Estamos no Governo
terça-feira, março 15, 2005
A chegada ao Porto
segunda-feira, março 14, 2005
sexta-feira, março 11, 2005
Mala-Posta de Ponte da Pedra
quinta-feira, março 10, 2005
Entrar no pesadelo
Segunda porta: Olhava com ansiedade para o écran. Estávamos com aqueles presságios terríveis. O médico calado procurava em vão a vida, num coração a bater, como nos meses anteriores, em sessões em tudo idênticas. Não havia! Prometemos voltar, e voltámos, passados uns tempos, a ver um ponto a palpitar naquele écran, recriando as nossas esperanças.
terça-feira, março 08, 2005
Amor aos pedaços

Chico Buarque (1978)
1. Feijoada completa (Chico Buarque)
2. Cálice( Chico Buarque - Gilberto Gil) Participação: Milton Nascimento
3. Trocando em miúdos (Chico Buarque - Francis Hime)
4. O meu amor (Chico Buarque) Interpretação: Elba Ramalho / Marieta Severo
5. Homenagem ao malandro (Chico Buarque)
6. Até o fim (Chico Buarque)
7. Pedaço de mim (Chico Buarque) Interpretação: Zizi Possi
8. Pivete (Chico Buarque - Francis Hime
9. Pequeña serenata diurna (Silvio Rodriguez)
10. Tanto mar (Chico Buarque)
11. Apesar de você (Chico Buarque)
Pequenos nadas

Sérgio Godinho - Pano-Cru (1978)
1. A Vida É Feita de Pequenos Nadas
2. O Primeiro Dia
3. O Galo É o Dono dos Ovos
4. Balada da Rita (do Filme "Kilas, o Mau da Fita")
5. Venho Aqui Falar
6. Lá Isso É
7. Feiticeira
8. O Homem-Fantasma
9. 2.o Andar, Direito
10. Pano-Cru
segunda-feira, março 07, 2005
Almas censuradas

José Mário Branco - Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades (1971)
1. Abertura (Gare d'Austerlitz)
2. Cantiga para pedir dois tostões
3. Cantiga do fogo e da guerra
4. O charlatão
5. Queixa das almas jovens censuradas
6. Nevoeiro
7. Mariazinha
8. Casa comigo Marta
9. Perfilados de medo
10. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
sábado, março 05, 2005
Discos com histórias
sexta-feira, março 04, 2005
O outro "Malandro"
Kurt Weill - Bertolt Brecht (versão livre de Chico Buarque 1977/78)
O malandro/Na dureza
Senta à mesa/Do café
Bebe um gole/De cachaça
Acha graça/E dá no pé
O garçom/No prejuízo
Sem sorriso/Sem freguês
De passagem/Pela caixa
Dá uma baixa/No português
O galego/Acha estranho
Que o seu ganho/Tá um horror
Pega o lápis/Soma os canos
Passa os danos/Pro distribuidor
Mas o frete/Vê que ao todo
Há engodo/Nos papéis
E pra cima/Do alambique
Dá um trambique/De cem mil réis
O usineiro/Nessa luta
Grita(ponte que partiu)
Não é idiota/Trunca a nota
Lesa o Brasil/Do Brasil
Nosso banco/Tá cotado
No mercado/Exterior
Então taxa/A cachaça
A um preço/Assustador
Mas os ianques/Com seus tanques
Têm bem mais o/Que fazer
E proíbem/Os soldados
Aliados/De beber
A cachaça/Tá parada
Rejeitada/No barril
O alambique/Tem chilique
Contra o Brasil/Do Brasil
O usineiro/Faz barulho
Com orgulho/De produtor
Mas a sua/Raiva cega
Descarrega/No carregador
Este chega/Pro galego
Nega arreglo/Cobra mais
A cachaça/Tá de graça
Mas o frete/Como é que faz?
O galego/Tá apertado
Pro seu lado/Não tá bom
Então deixa/Congelada
A mesada/Do garçom
O garçom vê/Um malandro
Sai gritando/Pega ladrão
E o malandro/Autuado
É julgado e condenado culpado
Pela situação
Outra coisa
Estava a contar com uma coisa mais negra, dramática e violenta, com um humor essencialmente irónico. Era assim que imaginava a representação e acho que o filme também transmitiu essa imagem.
Acabou por ser um bocado revisteiro. Eu gostei, mas como se fosse outra coisa que não a "minha" Ópera do Malandro.
[Vamos lá ver se consigo pôr isto a tocar. Copiei quando passou por aqui.]
O Malandro revisitado

Melhor que nunca!
Só é pena que a audiência já tenha mais de 50, sinal de que o tempo não pára.
Ah, o amor! Como anda arredado das nossas vidas, ocupadas com coisas fúteis. E o desejo, onde se alimenta? Sim, porque o pecado mora sempre ao lado!
Da Ópera do Malandro, diz-se que é o melhor espectáculo musical: «Tem tudo, humor sem ser grotesco, romantismo, realismo, sentido de oportunidade, política. Esta é que é a Arte Total de Wagner, a total kunst ...», e ainda uma espécie de oráculo sobre os tempos vindouros: «Ali se vê o passado a ser enterrado pelo futuro que se adivinhava – aquele hedonismo marginal a ser substituído por outros ‘malandros’ executivos, com mais poder e mais incompetentes».
sexta-feira, fevereiro 25, 2005
Histórias da minha terra

Rosas no meio do laranjal

segunda-feira, fevereiro 21, 2005
Obrigado a todos!
sexta-feira, fevereiro 18, 2005
A Avó perdeu a cabeça!
quinta-feira, fevereiro 17, 2005
O País está a crescer
A coisa aqui tá preta
Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando que, também, sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus
quarta-feira, fevereiro 16, 2005
Milagre?
segunda-feira, fevereiro 14, 2005
O "Brilhantinas"
sábado, fevereiro 12, 2005
Outras confusões antigas
sexta-feira, fevereiro 11, 2005
O suspeito do costume
Sou viciada em trocadilhos e a culpa, tal como no infame caso das orelhas desniveladas, é do meu pai.
Uma pessoa - não é - chega à sala ou assim, pergunta: “Já começou o Dallas?” e respondem-lhe: “Não, ainda estão a tirá-las.”. Ora, isto desde tenra idade é coisa para afectar a evolução da morfologia neurológica de um indivíduo, para além de já existir certamente uma predisposição genética.
Assim, ao fim de uns largos anos, as palavras tornam-se motivo de grande desconfiança. Quando o Herman disse “a língua portuguesa é muito traiçoeira”, nós lá em casa já o sabíamos há muito tempo. Então, sub-repticiamente, o hábito entranha-se e caímos também no vício dos trocadilhos. Damos por nós a atazanar os irmãos mais novos:
quinta-feira, fevereiro 10, 2005
Confusões recentes
"Pai, a febre está torta..."
"O quê?!..."
"Está torta..."
Pensava eu: estará a delirar?
Não, era o termómetro que não estava bem no sítio...
quarta-feira, fevereiro 09, 2005
Terceiro mundo

Incubadora Fevereiro 2005

sexta-feira, janeiro 28, 2005
Filha sofre...
Fiat 600 D, idêntico ao adquirido pelo teu pai, em 1970, em segunda mão, por 12 contos, e que foi um autêntico laboratório de aulas práticas de mecânica automóvel

quinta-feira, janeiro 27, 2005
O meu pai é o melhor condutor do mundo
Sem exagero nenhum. É a verdade. É assim mesmo.
Um dia, tinha eu uns 14 ou 15 anos, íamos a passar de carro pela Av. João XXI e o meu pai diz: “foi ali que tirei a carta de condução”. Fiquei estupefacta. Nunca me tinha ocorrido: houve alguém que ensinou o melhor condutor do mundo a conduzir! Pensei (e disse?) que esse facto tinha de ser utilizado no marketing daquela escola de condução. Cheguei a pensar que deviam dar um certificado qualquer ao instrutor. Estava determinada a ter ali as minhas aulas. Mas não. Tirei a carta no ACP. Passei à quarta no exame de estrada. Uma vergonha para alguém com tão bons genes.
quarta-feira, janeiro 26, 2005
Aqui Jazz
Frases com história
quarta-feira, janeiro 19, 2005
segunda-feira, janeiro 17, 2005
Ribeira da Serra
O rio da minha aldeia
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
(do "Guardador de Rebanhos" - Alberto Caeiro)
domingo, janeiro 16, 2005
sábado, janeiro 15, 2005
A Solução
sexta-feira, janeiro 14, 2005
Onde está o contador?
segunda-feira, janeiro 10, 2005
Os estagiários
sexta-feira, janeiro 07, 2005
quarta-feira, janeiro 05, 2005
De Mao a Piao

Mao Tsé Tung por Andy Warhol
Lost in translation
Women and sardines, you want them to be small
Head of rotten garlic
Past waters don't power mills
Dog that barks doesn't bite
From very small the cucumber is bent
It's the color of a donkey on the run
There's a Moor on the coast...
From Spain, neither good wind nor good marriage [will come]
This is too much sand for my truck
Friends friends, business aside
Here they're made, here they're paid
Tell me with whom you hang around, I'll tell you who you are
I'm in the inks
You are here you are eating
Trust the Virgin and don't run...
Go make a turn
You're letting water in...
Monkeys bite me...!
Bad Mary...
He doesn't give one for the box
Don't sand me!
God gives nuts to those who don't have teeth...
Fish don't pull wagons
By the yes by the no...
Rays break me!
If you don't put a stick on yourself...
Donkey's voices don't reach the heavens
Old donkey doesn't learn languages
In a house where there's no bread, everyone shouts and no one is right
At night all cats are gray
There's no beauty without an if
(at http://tagide.com/pt-idioms.html)
Minuciosa formiga
não tem que se lhe diga:
leva a sua palhinha
asinha, asinha.
.
Assim devera eu ser
e não esta cigarra
que se põe a cantar
e me deita a perder.
.
Assim devera eu ser:
de patinhas no chão,
formiguinha ao trabalho
e ao tostão.
.
Assim devera eu ser
se não fora não querer.
.
(Alexandre O'Neill)
Alexandre O'Neill
Inicia os seus estudos em 1932. Em 1946 sai de casa dos pais devido a conflitos familiares e vai viver para casa do tio materno. Em 1948 surgem as primeiras manifestações públicas de interesse pelo fenómeno poético. O'Neill surge então como um dos fundadores do Movimento Surrealista de Lisboa.
O'Neill, tal como a maioria dos artistas portugueses não pôde viver da sua Arte. Afirmava «viver de versos e sobreviver da publicidade». Vasto foi o seu currículo, onde constam diversas colaborações para jornais, revistas, televisão etc.
Segundo rezam as biografias, O'Neill conquistava facilmente corações. Eis uma precária biografia dos seus amores e desamores:
Conheceu em finais de 1949 (a par do começo da aventura surrealista) Nora Mitrani, o seu amor dorido. A 27 de Dezembro de 1957 casa com Noémia Delgado e cerca de dois anos depois nasce o filho do casal - Alexandre Delgado O'Neill. Divorciam-se em 15/01/1971.
Em Agosto do mesmo ano casa com Teresa Patrício Gouveia e em 1976 nasce o seu segundo filho - Afonso. O divórcio acontece em 20 de Fevereiro de 1981.
Entre 1980 e 1986, O'Neill viveu mais uma paixão que o acompanhou até ao últimos dias da vida - Laurinda Bom.
(em http://www.citi.pt/cultura/literatura/poesia/oneill)
terça-feira, dezembro 28, 2004
Filhos de um Deus menor
Nas varandas e nos andares superiores dos hotéis os que estão bem na vida filmam e fotografam a tragédia, que vêmos confortáveis nos nossos sofás, em frente à lareira, em écrans LCD ou plasma.
Estes povos sem futuro, os seus velhos e as suas crianças espiam assim os nossos pecados?
Não ao desemprego
quinta-feira, dezembro 23, 2004
A golpada
Diz o ministro do governo demissionário: "agarrem-me que eu demito-me".
E o primeiro-ministro está condenado a dar "total confiança" à campanha eleitoral que os ministros do PP descoligado já começaram a fazer aproveitando-se desses mesmos cargos.
quarta-feira, dezembro 22, 2004
terça-feira, dezembro 21, 2004
O Meu Barbeiro
segunda-feira, dezembro 20, 2004
O mundo visto do Colombo - A Era da Retoma
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A nossa balança comercial está um desastre, importamos tudo o que estamos a comprar. Não produzimos nada que se venda a bom preço no estrangeiro.
Hábitos de consumo dos portugueses dependentes da oferta exterior
Mas estamos a viver a invisível retoma, a caminho das eleições. Durante quanto tempo? Até ao Carnaval? À Páscoa?
Garantia do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações
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Toma lá Retoma!
quarta-feira, dezembro 15, 2004
Voltando ao Mexia
Norman Foster Connection
Uma "escultura na paisagem"
Gosto mesmo destas coisas:

"A ponte mais alta do mundo, localizada no Sul de França, foi inaugurada ontem pelo Presidente da República do país, Jacques Chirac. O viaduto, construído em tempo recorde, tem um comprimento de perto de 2,5 quilómetros e atinge uma altura de 343 metros, mais do que a Torre Eiffel, em Paris."

"Concebida pelo arquitecto britânico Norman Foster, a ponte faz a ligação por auto-estrada entre o maciço central francês e a fronteira espanhola, permitindo descongestionar o trânsito no Sudoeste de França, sobretudo durante o Verão."
[aqui]
sábado, dezembro 11, 2004
Anadia já é cidade
sexta-feira, dezembro 10, 2004
A Situação Política
Daqui desta Lisboa
Daqui, desta Lisboa compassiva,
Nápoles por Suíços habitada,
onde a tristeza vil, e apagada,
se disfarça de gente mais activa;
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Daqui, deste pregão de voz antiga,
deste traquejo feroz de motoreta
ou do outro de gente mais selecta
que roda a quatro a nalga e a barriga;
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Daqui, deste azulejo incandescente,
da soleira da vida e piaçaba,
da sacada suspensa no poente,
do ramudo tristôlho que se apaga;
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Daqui, só paciência, amigos meus!
Peguem lá o soneto e vão com Deus...
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(Alexandre O'Neill)
quinta-feira, dezembro 09, 2004
Querida Madalena:
Já o teu avô dizia, nos idos de 80, que se musicassem os programas curriculares de Matemática, Geografia, História e outros, eu seria a melhor aluna de todos os tempos. Como ninguém se lembrou de o levar à prática, fiquei-me por razoável aluna de inglês. É verdade que tenho uma certa pancada por letras de músicas.
Por outro lado, também não é lá muito original dedicar-te estes versos. Mas o que realmente interessa é que constituem a melhor formulação dos meus desejos para a tua vida.
quinta-feira, dezembro 02, 2004
segunda-feira, novembro 29, 2004
Que um fraco Rei faz fraca a forte gente
Ouvi um discurso do primeiro-ministro (não foi de propósito) em que o próprio se comparou a um prematuro numa incubadora a quem os irmãos mais velhos tratam ao murro e ao pontapé, quando se esperaria que o acarinhassem. Sem dúvida o choradinho mais imaginativo de sempre; a merecer a melhor atenção dos cartoonistas do país.
sábado, novembro 27, 2004
Ainda não estais farta ó forte gente?
(Vede da natureza o desconcerto!),
Remisso e sem cuidado algum, Fernando,
Que todo o Reino pôs em muito aperto;
Que, vindo o Castelhano devastando
As terras sem defesa, esteve perto
De destruir-se o Reino totalmente;
Que um fraco Rei faz fraca a forte gente.
...
Luis de Camões, Lusíadas, Canto III, 138
sexta-feira, novembro 26, 2004
E agora
Para não ser só comboios para lá e comboios para cá, deixo aqui a foto dum gajo giro que, por acaso, até me faz lembrar outro gajo giro que está para ser pai:
segunda-feira, novembro 22, 2004
Nos carris vão dois comboios parados...
P’ra outra margem
Desafio pairando sobre o rio
A ponte é uma miragem …”
sexta-feira, novembro 19, 2004
sexta-feira, novembro 12, 2004
Quadras do Aleixo
de mágoas e agonias
vem outro alegre e risonho:
são assim todos os dias.
Quem prende a água que corre
É por si próprio enganado;
O ribeirinho não morre,
Vai correr por outro lado.
quinta-feira, novembro 11, 2004
Recordando um São Martinho em 1965
Ligado a um ritual de origem religiosa, o dia do Santo Bispo de Tours (São Martinho), está historicamente associado à abertura e prova do vinho da última vindima (No dia de São Martinho vai à adega e prova o vinho).
Neste dia, assam-se castanhas, bebe-se vinho, água-pé e jeropiga, e há quem o faça à volta de uma fogueira ao ar livre.
O Verão de São Martinho:
Num dia tempestuoso, ia São Martinho, então valoroso soldado romano, montado no seu cavalo, quando viu um mendigo, tremendo de frio, que lhe estendia a mão suplicante. São Martinho não hesitou, parou o cavalo, e com a espada cortou ao meio a sua capa de militar, dando metade ao mendigo. Apesar de mal agasalhado e sob chuva intensa, preparava-se para continuar o seu caminho, quando, subitamente, a tempestade se desfez, o céu ficou límpido e um sol de Verão inundou a terra de luz e calor. Deus, para que não se apagasse da memória dos homens o acto de bondade praticado pelo Santo, todos os anos, nesta mesma época, faz cessar por alguns dias o tempo frio e o céu e a terra sorriem com a benção dum sol quente e miraculoso.
(Adaptado de Magusto - S. Martinho )
quarta-feira, novembro 10, 2004
Argumentando em Maio de 1974
Quando no silêncio das noites de luar
ia uma estrela pelos céus a correr
dizia minha mãe de mãos erguidas
Deus te salve por bem
Desde então quando vejo que um homem
deixa a terra onde infeliz nasceu
e fortuna busca noutras praias digo
que te leve Deus também
Não o acuso coitado não o acuso
nem lhe rogo pragas nem castigos
nem de que é dono de escolher, me esqueço
o que lhe convier
Porque quem deixa o seu país natal
e fora dos seus caminhos põe os pés
e se troca o certo pelo incerto
motivos há-de ter
(Poema de Curros Henriquez, cantado por Adriano Correia de Oliveira, com música de José Niza)
terça-feira, novembro 09, 2004
Aos princípios
Liberdade - de cada um determinar a sua vida, assumir a responsabilidade para poder ser livre, não se deixar condicionar pelo politicamente correcto.
Justiça - as regras da sociedade, somos um produto da sociedade, aprender a viver com os outros, não ser como o homem invisível, as pessoas valem por si e não apenas enquanto são úteis.
Ao fim da tarde é uma estopada ouvir os princípios que devem orientar a educação dos filhos, mas sai-se com a cabeça cheia...
Passeio de bicicleta
quarta-feira, novembro 03, 2004
Os filhos crescem num instante
terça-feira, novembro 02, 2004
Fomos comer leitão
sexta-feira, outubro 29, 2004
TGV sobre 2, e o que adiante se verá
...
Governo põe o pé no travão












