terça-feira, janeiro 31, 2006

Os Primos


Há 30 anos eram assim os primos. Junto à antiga casa de uns e nova casa de outros, atrás o R4 expectante, estavam de partida para um pic-nic.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

O mundo visto do Colombo - Lá fora a neve caía

Estávamos a almoçar junto à janela e de repente começou a nevar. Será um bom presságio? Já temos muitos BMW's, autoestradas com neve, a nossa classe média até vai de férias na época do ski, o que nos falta para sermos desenvolvidos?!...

Entretanto fiquemos com o que nos diz alguma coisa:

Balada da neve

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
- Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim,
fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
- e cai no meu coração

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

Augusto Gil, Luar de Janeiro

sexta-feira, janeiro 27, 2006

E vão dois...

... dentes fora! Este meteu anestesia, alicate, etc. Coitada dela deitada na cadeira a fazer-se forte rodeada de curiosos a assistir. Não chorou nem nada. A receita era: "Fecha os olhos e abre a boca, só abres os olhos quando eu (o médico) disser." Resultou! Se bem que todos tivéssemos visto os olhos a abrir quando a grande seringa operava na gengiva já insensível do gel com sabor a framboesa.
À noite enquanto dobrava minuciosamente a nota de 5 euros, que vai resultar da transformação do dente por obra da fada dos dentes, e cujo destino vai ser a barriga do porquinho, estava a pensar que estas minhas crianças desde as primeiras vacinas são do estilo antes quebrar do que torcer, a fazer lembrar as de outras eras.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Está tudo pendurado?

"A mãe está a deixar tudo pendurado!" diz a mais pequena ao fim do dia quando espera que a mãe chegue a casa. Parece que um dia destes ao telefone a mãe tinha dito que ia mais cedo "mas ia deixar aquilo tudo pendurado". Não consigo imaginar o que aquela cabecinha pode imaginar ao dizer aquilo mas calculo que pensa que a mãe, ao fim da tarde resolve pendurar os papéis na corda da roupa lá do ministério e se vem embora.
Aliás um dia destes tinha desabafado: "Ó mãe não me compres mais roupa (nos saldos) porque assim nunca mais chegas ao fim do cesto (da roupa suja)". Isto veio na sequência de ter presenciado um suspiro maior da mãe, que raramente consegue ver o fundo ao referido cesto.
Portanto, digo eu, no trabalho da mãe há um grande cesto, uma máquina industrial de lavar (papéis?) e um grande estendal. De facto a realidade não é muito diferente. Ficamos é nós todos pendurados no pau da roupa!

sexta-feira, janeiro 20, 2006

À mesa este Natal


Estavam como de costume outras toalhas da Avó.

As Avós


São instituições de referência nas nossas vidas. As quatro avós dos meus filhos foram e são de uma dedicação inexcedível. Temo que as novas gerações não tenham o aconchego de uma Avó ali ao lado para os receber quando vêm da escola ou para lhes dar o remédio e o almoço quando ficam em casa doentes, a torradinha, a dedicação, a desarrumação autorizada, a preocupação, os arranjos, a paciência que os pais não têm, o jantar feito, “tem sempre gente em casa?...”.
Às vezes escapa-me uma avaliação completa da qualidade de vida que se tem quando está uma Avó por perto. Só quando ouço qualquer frase solta: “Não tenho a quem deixar as crianças nas férias da escola...” ou “Tenho o miúdo doente e não posso ir trabalhar...”.
Tão distraído, e com tanta sorte, como à mesa sobre obras de arte que levaram horas a fazer e em que só reparo um dia quando ao estender a toalha uma luz especial lhe faz ressaltar a cor dos bordados para a fotografia, e os remorsos por tanta falta de atenção.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

A história do Natal?

Transcrição de um texto interessante, retirado do http://semiramis.weblog.com.pt/ sobre a origem da tradição que comemoramos nesta época (para ler aqui)

O mundo visto do Colombo - À mama

(Ouvido contar no restaurante, na mesa ao lado)
Numa carruagem do comboio estava sozinho um homem quando entra uma mulher que se senta em frente e começa a dar mama ao bébé.
Passado um bocado pergunta-lhe ele: Não me deixa também mamar um bocadinho?...
Responde ela: Então e não queria mais nada?...
Diz ele: Só se fosse também uma bolachinha...
Post Scriptum:
A versão acima foi corrigida em resultado de uma intervenção de censura feminina.
De facto na história que eu ouvi, contada por uma mulher, ela aceitava dar de mamar ao homem e às tantas perguntava se ele não queria mais nada, ao que ele (parolo?) pedia então a bolachinha.
Como se vê a posição da mulher nas duas versões é substancialmente diferente. Na primeira irrepreensível, na segunda descarada.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

O Sistema mexeu

Há dias recebi dois cheques do Macedo com uma frase tipo a dizer: "Em virtude de V. Exª ter pago indevidamente em ... a importância de ..." É difícil ter frases tipo para todas as situações, pelo visto é mesmo impossível nesta circunstância pedir desculpa, mas "ter pago Indevidamente" é provocatório. Vou conferir muito bem se o que me devolvem é o que me confiscaram em Julho.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

O concerto no Porto


A nossa primeira ida à Casa da Música não correu nada bem. Os bilhetes comprados com mais de um mês de antecedência foram muito caros, mesmo tendo em conta a idade dos miúdos. Parecia interessante ir ouvir cantatas de Natal de Bach. No entanto, ao fim da tarde, depois de um encontro com o MP3 na rua de Santa Catarina, a miúda começou a ficar com febre. Depois de jantar lá fomos, tentámos resistir ao emaranhado de escadas, desde o estacionamento, ao estranho efeito de uma bancada de público do outro lado do palco, à sonolenta música de igreja, mas não conseguimos e saímos ao intervalo. Foi a nossa contribuição para o défice orçamental do grande caixote nortenho.

O mundo à espera


Hoje sinto-me assim! (e acabei de chegar do El Corte Inglés)

Histórias da Ibéria


Mosteiro de Santa Maria da Vitória (ou da Batalha)
Desde a batalha de Aljubarrota que se comemoram em grande as vitórias sobre os espanhóis. Mesmo que insignificantes, valem sempre pelo mau perder que lhes é característico.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Já está!

Dono de boas acções, administrador de empreendimento próspero, novos projectos a nascer de raiz cá e lá, que mais se poderia desejar no sapatinho?!... Sim, porque do resto já se sabia que não me faltava nada.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Uma outra história

Inquietação



A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes.

São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada tu me ensinas
A mim pó que o vento espalha.

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê não sei, porquê não sei
Porquê não sei ainda.

Há sempre qualquer coisa que está para acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê não sei, porquê não sei
Porquê não sei ainda.

Ensinas-me a fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas.

Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Para ficar pelo caminho.

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê não sei, porquê não sei
Porquê não sei ainda.

Há sempre qualquer coisa que está para acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê não sei, porquê não sei
Porquê não sei ainda.

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê não sei
Mas sei que não sei ainda.

Há sempre qualquer coisa que está para acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê não sei
Mas sei que não sei ainda.

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê não sei
Mas sei que essa coisa é que é linda.

Autor: José Mário Branco

sábado, novembro 26, 2005

De noite


GUARDI, Francesco
Night time Procession in Piazza San Marco 1758

Dois nomes

Cadarache:
“O ITER é o primeiro reactor experimental de fusão nuclear, a construir em Cadarache, França, no âmbito de uma cooperação internacional que envolve a União Europeia, o Japão, a Rússia, os Estados Unidos, a China e a Coreia do Sul. O custo da construção, que durará 10 anos, é de cerca de 4.000 Milhões de Euros.”













faz-me lembrar Caran d’Ache:














Que também é o “petit nom” do meu amigo Germano, engenheiro químico reformado permaturamente, que está a tirar o curso de pintura na Sociedade Nacional de Belas Artes, quando invectivado, pelo Izildo, no meio de um discutido jogo de voleibol.

Verão quente

Muitas histórias haveria para contar do meu verão quente. Uma tripulação seleccionada enchia o R4: o Cabral (a quem, imprevidente, emprestei uma noite o carro), o Varela e o Pinheiro (depois substituído por se ter baldado) andava entre a Nazaré (o Varela tinha lá casa) e Évora (os ”esquemas” do Varela, que tinha que ir aos ensaios), com passagem em muitos bailes daquele fim de verão, do Pego até Mação. Havia também as professoras e o padre não sei de onde. As discussões políticas no Pelicano, do Ferro com o Alcobia (um tipo excepcional, que se suicidou anos depois por não suportar a impossibilidade de ver concretizados seus ideais).
Os fins de tarde no hotel de turismo, as madrugadas de serviço na guarita (ou dentro do carro), os dias de plantão à unidade, de serviço à porta de armas, de faxina, tentando resolver uma rotura e acabando a varrer a parada. Rio de Moinhos, Mouriscas, Penhascoso. De blusão camuflado voava baixinho à noite, também ao meio da semana, para Lisboa, regressando de madrugada. Foram só três meses?!... E a situação política, as confusas manifestações dos SUV (Soldados Unidos Vencerão eramos nós?). Estava tão por dentro e via tão pouco televisão que durante muito tempo me escapou o significado da sigla PREC.

Assédio


BATONI, Pompeo
Susanna and the Elders

sexta-feira, novembro 25, 2005

Onde é que tu estavas no...

...no 25 de Novembro (há 30 anos)? Quartel general em Abrantes, éramos quarenta, tinhamos chegado em Julho, fazer o curso de cabo, recambiados por mau comportamento (revolucionário?) em Mafra, no Dezembro anterior. No primeiro dia enchemos o parque de estacionamento do quartel (todos tinham levado carro!). Mau sinal tantos soldados com bom aspecto a comer nos restaurantes e a fazer vida de rico naquele meio pequeno. Ao meu lado na camarata dormia um futuro ex-secretário geral. Durou pouco tanta animação por aqueles lados. Tancos era ali mesmo ao lado e os paraquedistas queriam coboiada. No dia 28 voltámos de mala aviada, passados à “peluda” em tempo recorde, tão ansiosos que estavam de se verem livres de nós (e nós deles!).

quarta-feira, novembro 23, 2005

Wireless

Lá em casa já estamos ligados sem fios. Depois de várias experiências e equipamentos devolvidos, apesar da espessura das paredes e dos acidentados trajectos a vencer, já temos a rede até no quarto do artista careca.

sábado, novembro 19, 2005

Quem pode, pode

Quem não pode, pede ao pai.

O meu iPod nano (cutchi-cutchi) encontra-se recheado com 533 músicas, o que corresponde a 36 horas de um som fantástico. Aí vão dois dos quatro gigas. E os meus discos passaram a estar arrumados em duas categorias: “os que já foram carregados” e “os que ainda não foram carregados”. Agora tenho que começar a andar mais a pé.

quarta-feira, novembro 16, 2005

E pimba!

Numa semana duas boas notícias confirmam um horóscopo auspicioso. Eu não acredito em bruxas... só em fadas (gordas e boas)!

sexta-feira, novembro 04, 2005

The jargon - explained

BIMBO – A combination of management buy-in and buy-out where the team buying the business includes both existing management and new managers (Não é o nosso caso)

Ar limpo


É de aproveitar para respirar fundo porque se trata de um recurso escasso, principalmente para quem trabalha na Avenida da Liberdade.

quinta-feira, novembro 03, 2005

De cima


Esta é a vista de cima da Torre de Menagem. O autor foi o miúdo do costume. Registaram-se duas lesões musculares em resultado da subida. As damas não aguentaram.

quinta-feira, outubro 27, 2005

De lado (regressando a um tema antigo)


Canaletto, The Molo Looking West, 1730

terça-feira, outubro 25, 2005

Hoje faz 40 anos

E está tão bonita como quando a conheci.

Foi por ela...



Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz Madrid, Paris, Bruxelas quem me alcança
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dos rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas foi por ela

Foi por ela que eu me enfeito de agasalhos
em vez daquela manga curta colorida
se vais sair minha nação dos cabeçalhos
ainda a tiritar de frio acometida
mas o calor que era dantes também farta
e esvai-se o tropical sentido na lapela
foi por ela que eu vesti fato e gravata
que o sol até nem me faz falta foi por ela

Foi por ela que eu passo coisas graves
e passei passando as passas dos Algarves
com tanto santo milagreiro todo o ano
foi por milagre que eu até nasci profano
e venho assim como um tritão subindo os rios
que dão forma como um Deus ao rosto dela
foi por ela que eu deixei de ser quem era
sem saber o que me espera foi por ela

Autor: Fausto Bordalo Dias

quinta-feira, outubro 20, 2005

Vá lá atende...

Nas últimas eleições não senti nenhum apelo ao voto parecido com este motivador toque de telefone, a que não posso deixar de ser sensível acabando sempre por responder.

quinta-feira, outubro 13, 2005

quarta-feira, outubro 12, 2005

Exposição de Motivos...

... da ELEVAÇÃO À CATEGORIA DE CIDADE DA VILA DE ANADIA E POVOAÇÕES CONTÍGUAS
Para quem tenha a paciência de ler, encontra aqui, no 5º parágrafo do capítulo II, uma referência à Ponte da Pedra.

segunda-feira, outubro 10, 2005

Eleições de pé quebrado

O povo tresmalhado
Na maior parte das autarquias
Não sabe em quem votar
Só em Gondomar.

Tira de uns, põe nos outros
Salta daqui para ali
Descrendo dos eleitos, um desatino
Só no Isaltino.

Acredita nas sondagens
Para aquelas cinco câmaras
Para evitar mais asneiras
Só na Felgueiras.

Não gosta do rosa-choque
E farto de desgraças
Castiga o pedante
Até em Amarante.

domingo, outubro 09, 2005

No dia do teu aniversário

You are my sister, we were born
So innocent, so full of need
There were times we were friends but times I was so cruel
Each night I'd ask for you to watch me as I sleep

I was so afraid of the night
You seemed to move through the places that I feared
You lived inside my world so softly
Protected only by the kindness of your nature

You are my sister
And I love you
May all of your dreams come true

We felt so differently then
So similar over the years
The way we laugh, the way we experience pain
So many memories
But there’s nothing left to gain from remembering
Faces and worlds that no one else will ever know

You are my sister
And I love you
May all of your dreams come true
I want this for you
They're gonna come true (gonna come true)

Parabéns!

[«You Are My Sister», Antony and the Johnsons (ft. Boy George). Tenho pena de não ter conseguido encontrar a música completa... mas agora até já tens o disco e tudo.]

PARABÉNS ELSA


Todos gostam muito da irmã mais velha!

quinta-feira, outubro 06, 2005

Coincidências

O juiz Luís foi para o SIS.

terça-feira, outubro 04, 2005

Os sonhos são traiçoeiros

Sonho Primeiro
Estou em Angola, ou na ideia que eu tenho de Angola. É um quase pesadelo, com caminhos de terra e veredas no meio de vegetação raquítica, que levam a um grande terreiro, onde se aproximam homens armados, poucos, dos quais me afasto sorrateiramente. Uma escadaria de degraus de terra, que leva a uma varanda sobre um rio seco, onde está uma espécie de altar com oferendas (e esqueletos?).
Nunca fui a Angola. Já ouvi milhares de histórias de amigos que de lá vieram, ou que lá vão com frequência. A última foi do Joãozinho que me contava o estado lastimoso das estradas, que faz aumentar em muitas horas os tempos de viagem. Dizia ele que têm buracos tão grandes que os camiões lá entram, descendo por um lado e subindo pelo outro para sair.

Sonho Segundo
Acabei mesmo agora por descobrir que foi a propósito do Personal Trainer, o António Costa.
Casa estranha, família chinesa (?). Eu a explicar a história de rios novos e rios velhos e um homem noutra sala, com aspecto de fumador de ópio. Não era propriamente um pesadelo mas no fim fiquei com a ideia de que tinha sido enganado.

terça-feira, setembro 27, 2005

Enredados no Sistema

Quanto mais nos mexermos mais enredados iremos ficar? Ele são processos de execução fiscal imparáveis, são devoluções retidas e confirmações de compensações de impostos comprovadamente pagos há meses ou anos. Assunto tratado ao mais alto nível, mails para o Sistema, respostas pressurosas, sites que retratam a situação meia resolvida... Somos mesmo já um case study. Então e a massa? Têm que me devolver a massa! As eleições estão à porta e a minha promessa mantém-se: Não há pão (leia-se: votos) para malucos!

Os parolos do MBO

Andam uns gajos entre Paris e Madrid a resolver o nosso futuro e às tantas propõem distribuir umas migalhas aos parolos. Até nos aconselham sobre a solução que é melhor para o nós. Para já levam sopa mas depois, se cá aparecem com a faca e o queijo na mão, pode ser o cabo dos trabalhos para lhes dar a volta. Continuamos muito cá para baixo na cadeia alimentar...

quarta-feira, setembro 21, 2005

Primeiro Aniversário

Parabéns a mim que iniciei este Blog faz hoje um ano, divertindo e cultivando assim uma multidão de leitores, incondicionalmente rendidos à qualidade dos conteúdos, e que já o visitaram mais de duas mil vezes.
(Modéstia à parte...)
No princípio chamou-se Ponte a Pé, nome que foi recuperado aqui.

terça-feira, setembro 13, 2005

A fEstA é aQuI

Está visto que a festa também é aqui!
Chamo mesmo a vossa atenção para a frase tirada do contexto: "...muitas guerras com a minha mulher, porque isto com a idade já era para ter juízo".

sexta-feira, setembro 09, 2005

Um rodapé com estilo

Se não repararam vejam o rodapé. E, a propósito...

Chico Buarque - Bom conselho - 1972

Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança

Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar

Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade

O Poder de um momento

A súbita decisão de fazer com que algo aconteça, sem que isso seja um objectivo expresso do interessado. Pegar no telefone, estabelecer a ligação e suscitar a “boa acção”. Saber que aconteceu o que se provocou e que já teria acontecido outra coisa se não tivesse feito nada. Este impulso mudou a vida de alguém? Para melhor? Se não tivesse feito nada teria acontecido uma outra coisa qualquer e não esta. E seria pior?...

quarta-feira, setembro 07, 2005

Voltemos ao tango

Astor Piazzolla - Tango Apasionado
Prólogo

Finale


Também há mais tangos aqui!

sexta-feira, setembro 02, 2005

Mais nada!...

D'après Mário Soares:

Liberdade

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...

(Fernando Pessoa)

segunda-feira, agosto 29, 2005

Parabéns Inês


Gostamos todos muito de ti!

terça-feira, agosto 23, 2005

Verão 2005

Se tiverem paciência para esperar podem ver como nos divertimos!
(Entretanto é melhor parar a música de fundo na coluna do lado direito)



Maré cheia

Ria adentro pela placa de cimento, a caminho da praia. O percurso muda todos os dias.

sexta-feira, agosto 19, 2005

Olha uma nêspera

RIFÃO QUOTIDIANO

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha

e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

Mário-Henrique Leiria, Novos Contos do Gin

Acabou o Verão?


José Malhoa, Praia das Maçãs, 1918

quinta-feira, agosto 18, 2005

De frente!


Canaletto, Palazzo Ducale and the Piazza di San Marco, 1755

Casamento



“Na riqueza e na pobreza, no melhor e no pior, até que a morte vos separe.”
Perfeitamente.
Sempre cumpri o que assinei.
Portanto estrangulei-a e fui-me embora.

terça-feira, agosto 16, 2005

Afinal estava a brincar...


De costas?!...
Como se pode ver na imagem acima se a cúpula maior da igrega de La Salute aparece à esquerda a foto nunca pode ter sido tirada de costas para São Marcos, mas sim de um ponto na zona inferior da imagem, do lado esquerdo do canal mais estreito.
Afinal, farta dos enquadramentos de Canaletto, resolveu-se por uma graçola e eu pedagógico a investigar o disparate...

Tony Carreira

O concerto no Pavilhão Atlântico comemorativo de 15 anos de carreira é um espectáculo! Quero lá saber dos U2, este é um artista português de qualidade que produz divertimento para dezenas de milhar de portuguesas, que o aplaudem delirantemente.

Vistas


Perspectiva da espreguiçadeira: uma piscina, uma ria e um mar. Ali no lado direito ainda dá para ver um cantinho da cúpula de S. Marcos.

sexta-feira, agosto 05, 2005

Nas malhas do Fisco

Finalmente fomos apanhados! O IMI pago fora do prazo em dois anos sucessivos bloqueou a devolução do IRS este ano. Comprovado que foi que os pagamentos foram efectuados, vai ser doloroso fazer O SISTEMA reconhecer que já não devemos nada. Agora vai ser bonito para reaver a massa, por causa do cálculo dos jurozitos de dois ou três mezitos de atraso, a 1% ao mês, uma fortuna! E não é que a nossa jurista especializada em Fiscal vai cair na mesma rede. Pois é, apesar de ainda não ter sido liquidado o IRS (felizmente não tem só rendimentos por conta de outrém) lá tem as duas execuções fiscais à espera. Ai se os jornais descobrem lá se vão as hipóteses ministeriáveis...

terça-feira, agosto 02, 2005

Fintando a Crise, ou a Crise vista do Colombo

No primeiro dia de férias levamos os miúdos e vamos ao Colombo. Vamos almoçar ao Mac Donald, aproveitamos e fazemos as compras no supermercado. No segundo dia ficamos em casa, depois logo se vê...
(a fila na Calçada de Carriche continua na mesma no primeiro dia de Agosto, o parque de estacionamento do Colombo rebenta pelas costuras)

sexta-feira, julho 08, 2005

São Marcos VI (agora de costas)

Inês, Abril de 2003

São Marcos V

Inês, Abril de 2003

terça-feira, julho 05, 2005

São Marcos IV


Canaletto, Piazza San Marco Looking South-East, 1735-40

São Marcos III


Canaletto, Piazza San Marco with the Basilica, 1730

sábado, julho 02, 2005

São Marcos II


Canaletto, The Piazzetta, 1733-1735

São Marcos I


Canaletto, Piazza San Marco, Looking toward San Geminiano, 1735

sexta-feira, julho 01, 2005

Sítios onde todos já estivemos

A propósito de Champalimaud vem Canaletto (Giovanni Antonio Canal) e deste... Veneza, onde todos já estivemos e ninguém retratou como ele. Vejam lá...
Para saber o que é o Bucintoro ver aqui.

quinta-feira, junho 30, 2005

São cinco!

O meu post anterior foi completado para que não restem dúvidas de que são cinco. A minha encantadora esquecida publicou esta foto magnifica, em que eu, por volta dos cinco anos, ensaio à carga a minha camioneta de madeira, que, contou-me alguém pesaroso, destruí (desconstruí) completamente.

Parabéns, Kim!

De onze em onze


Canaletto (Giovanni Antonio Canal), The Campo di Rialto, 1758-63

Aos 11, morava por cima da estação dos CTT, andava no colégio, não ía para a praia nas férias por causa da poupança para construir a casa (naquele tempo os empréstimos obtinham-se na família porque uma hipoteca da casa era a vergonha social)
Aos 22, já estava casado, uma filha pequena (outra viria encantar-me um ano depois), vivia em Campolide, quase a acabar o curso, part-time nos CTT (não era a colar selos)
Aos 33, outra vez casado, T1 na Graça, mais um bébé, um rapaz, a ver os eléctricos a passar, trabalhava na ferrugem (também faziam comboios em inox)
Aos 44, definitivamente ajuntado, outro menino, bem comportado, apartamento desafogado no Infantado, andava pelas feiras (nada que se compare com ciganos)
Aos 55, ajuntamento continuado, prometendo eternizar-se, “chalet” na Ponte, mais uma menina rabina, metido em engenharias (aspirando a empresário)

segunda-feira, junho 27, 2005

Nos desenhos da Escola

O MEU PAI... Dá muitos beijinhos, dá palmadas quando eu me porto mal e joga futebol (?) (2005-03-17).
EU GOSTO DA MÃE... Porque é muito querida e dá-me beijinhos (2005-04-28).

sexta-feira, junho 17, 2005

Da minha aldeia


Sandro Botticelli, Birth of Venus, 1482 (Andy Warhol )

Da minha aldeia veio quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe
de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.


Alberto Caeiro ou Fernando Pessoa -
O Guardador de Rebanhos

sexta-feira, junho 03, 2005

Na fase holandesa


Berckheyde, Gerrit Adriaensz - The Bend in the Herengracht near the Nieuwe Spiegelstraat in Amsterdam 1672

quinta-feira, junho 02, 2005

NÃO?


Heyden, Jan van der - The New Town Hall in Amsterdam after 1652

Estes senhores dizem Não porque sim! Porque andam de bicicleta, comem queijo e vêm passar férias a Portugal quando lhes apetece.
Nós diremos Sim, porque não? Queremos andar de BMW, comer marisco e ir passar férias a Cuba.

quinta-feira, maio 19, 2005

Twilight zone

Recebi ontem uma carta da Polícia de Segurança Pública, Comando Metropolitano de Lisboa, com o seguinte teor: “Informa-se V. Exa. que relativamente ao acidente de viação ocorrido no dia 14SET04, em que foram intervenientes os veículos com as matrículas [nunca-ouvi-falar] e [a-do-meu-carro], poderá V. Exa. reclamar os danos na companhia seguradora Real Seguros onde a viatura por vós indicada se encontra segura sob a apólice nº 90308142 (...).”.

Pergunto: será possível sermos intervenientes em acidente de viação, participarmos a matrícula do outro à Polícia, e ainda assim não nos lembrarmos de nada? Para não falar da ausência de escoriações no nosso veículo...? hmm, não me parece.

Twilight zone (preâmbulo)

Há seis anos, recebi uma carta do Comando da PSP de Angra do Heroísmo na qual se solicitava a identificação do condutor que, no dia 05 de Fevereiro de 1999, pelas 09h12m, conduzia o veículo com a matrícula daquele que era então meu carro, em Grota do Vale, S. Bento, Angra do Heroísmo, e em excesso de velocidade.

Respondi esclarecendo que: “nunca o referido veículo circulou em Angra do Heroísmo (ou em qualquer outro local dos Açores), conduzido por quem quer que fosse.”.

segunda-feira, maio 16, 2005

MBO

De vilão a cidadão, de empregado a patrão? Continuo a não perceber se nós é que torcemos o destino ou se é o destino que nos torce a nós... e ao pepino! (ah! é o menino que torce o pepino?)

quinta-feira, maio 12, 2005

Donna Maria

Entre Astor Piazzolla e Tony de Matos, num ambiente de "Kilas, o mau da fita", têm uma pequena artista (um metro e meio) e um grande som. Vem com um CD + DVD!

quarta-feira, maio 04, 2005

Curiosidade

Da prelecção de ontem, ao fim da tarde, no colégio, fica uma pequena história dos dias de hoje.
Pergunta um miúdo para outro: "Lá na tua casa tens criada ou tens avó?"

sexta-feira, abril 29, 2005

O fabuloso mundo da audimetria (3)

Em virtude de uma semana excepcionalmente preenchida, constato que o meu televisor não é ligado há 96 horas. Se lerem qualquer informação do género: “um em cada mil portugueses não vê televisão”, não acreditem. É conjuntural.

O fabuloso mundo da audimetria (2)

Claro que também existem imensas vantagens! Ao fim de seis meses de colaboração posso solicitar a chaleira eléctrica a que tenho direito. Isto para mencionar apenas um dos fantásticos brindes disponíveis no catálogo.

O fabuloso mundo da audimetria

São mil os lares portugueses sujeitos à medição das audiências de televisão. O meu é, desde sexta-feira passada, um deles.

Fui submetida a interrogatórios extensos, abrangendo todos os aspectos da minha vida, em duas entrevistas telefónicas e mais duas entrevistas presenciais. Tem animais domésticos? Plantas? Familiares ou amigos empregados em canais de televisão? E muitas outras mais complicadas. Tinha esperança de chumbar em algum requisito mas não. Nem serviu de nada dizer “olhe que eu quase não vejo televisão”.

Houve duas advertências que me fizeram querer mandar esta minha colaboração graciosa para as urtigas: “não terá de suportar quaisquer custos” (devo agradecer a quem?); e “temos de abrir o televisor e o vídeo mas o nosso equipamento não danifica os aparelhos nem afecta a qualidade da transmissão.” (não me diga que vai ser possível continuar a ver televisão?). Mas calei-me e o processo seguiu em frente. Outras questões menores como não poder mudar de casa, nem de televisor, nem alterar o número de residentes no lar, não me preocuparam demasiado.

A instalação demorou cerca de duas horas e meia. Consegui negociar o especial favor de não assistir à montagem do equipamento, embora não tenha sido possível furtar-me a receber, de imediato, explicações detalhadas sobre o seu funcionamento: accionamento, identificação do telespectador e tudo o resto que já não me lembro.

Fica de aviso para o caso de receberem uma chamada da Marktest e também para que se saiba que os dados das audiências são obtidos à custa do esforço e dedicação de cidadãos anónimos.


segunda-feira, abril 25, 2005

Liberdade (hoje na avenida)

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[Esperar uns 20/30 segundos, até começar a ouvir as botas a marchar na gravilha.]

quarta-feira, abril 20, 2005

I love you, you pay my rent... (é fácil, ele é assim fácil)

(tradução automática no Google)
Lyrics Dos Meninos Da Loja De Animal de estimação
(outra vez... ooooh outra vez... outra vez... ) Você veste-me acima, mim é seu fantoche Você compra-me coisas, mim ama-o Você traz-me o alimento, mim necessita-o Você dá-me o amor, mim alimenta-o E olhar nos dois de nós no sympathy Com tudo nós vemos Eu nunca quero qualquer coisa, ele sou fácil Você compra o que quer que eu necessito Mas olhar em minhas esperanças, olhar em meus sonhos A moeda corrente que nós gastamos (ooooh) eu te amo, oh, você pagam meu aluguel (ooooh) eu te amo, oh, você pagam meu aluguel Você phone me na noite no hearsay E comprado me caviar Você fêz exame de me a um restaurante fora de broadway Para dizer-me que você é Nós o never-ever discute, nós nunca calculamos A moeda corrente que nós gastamos (ooooh) eu te amo, oh, você pagam meu aluguel ...Eu sou seu fantoche Eu amo-o E olhar nos dois de nós no sympathy E às vezes ecstasy As palavras significam assim pouco, e o dinheiro mais menos Quando você se encontrar ao lado de mim Mas olhar em minhas esperanças, olhar em meus sonhos ... Olhe minhas esperanças, olhe meus sonhos ...(ooooh) eu te amo, você pagam meu aluguel (é fácil, ele é assim fácil) (ooooh) ...

terça-feira, abril 19, 2005

Hoje como Ontem

Um dia, na escola primária, ao ver uma grande fila avançar para uma senhora que fazia com uma caneta uns riscos no braço, dos quais saía sangue, e chegada a minha vez, disse que a minha mãe não queria que eu fosse vacinado. Pura ilusão, apenas adiou uns dias o sacrifício.
Ontem uma menina que eu cá sei trouxe a bata para casa, o que não acontece no dia anterior à natação. Disse à professora que como estava rouca e com tosse não podia ir à natação. Parece que não gosta de dar mergulhos sem bóias. Hoje, mais conformada, lá levou a bata com indicação de que a tinha trazido por engano.

segunda-feira, abril 18, 2005

Olha, alembrou-se-me

PASTELARIA

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir
de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra


(in «Nobilíssima Visão», Mário Cesariny)

Pastelaria

[ou Não era uma pata de veado, se faz favor]

O que fazer quando os únicos bolos que se consegue identificar são palmiers e mil-folhas, e não nos apetece nem uma coisa nem outra? E quando se confunde sistematicamente merendinhas com milanezas, tendo, porém, a certeza que não gostamos mesmo nada de uma das referidas variedades? Aponta-se, claro. Não há problema nenhum.

Assim fiz eu: dedo esticado do lado de cá da vitrina. Depois desinteressei-me do processo de embrulho e fiquei a olhar para o ar. Até que, ao meu lado, uma voz preocupada murmurou: “a senhora não pediu uma pata de veado, pois não?”. “Err... eu queria um destes aqui” – voltei a apontar. “Pois, um jesuíta. É que o empregado está a embrulhar-lhe uma pata de veado”.

A solução, parece-me, passa por descer mais um quarteirão e comprar uma sandes.

Fora do mundo?...

Pois é, lá estou eu outra vez a dar-lhe!

domingo, abril 17, 2005

Viagens – Hong-Kong, Macau, Pequim, Xangai, Cantão (China)



Foram quinze dias fora do mundo (em 1998). Ainda hoje recordo como se tivesse sido um sonho. Começou mal, logo à chegada a Pequim fomos enganados pelo taxista, à boa maneira dos do aeroporto de Lisboa. Fomos por convite, e aproveitando o apoio, dos tios, então exilados em Macau, em vésperas do fim do Império (e não estou a falar do café ali na Alameda D. Afonso Henriques) que prepararam um roteiro excepcional para forasteiros, com todos os pormenores necessários. O apoio concretizou-se mesmo no aspecto material, quando na recta final, ao comprar um colar de pérolas, faltou saldo no cartão de crédito o que obrigou à intervenção pronta da financeira da família, algo constrangida (?) com a penúria dos convidados.

sexta-feira, abril 15, 2005

Lombos brancos

São bochechas rechonchudas, saltando de calças com o gancho encurtado propositadamente. No início da Primavera estão sem bronze nenhum, o que faz ressaltar a penugem sem descoloração possível, e nestes dias de vento desagradável suscitam um desconforto à vista desarmada. Roupa curta da irmã mais nova é o conceito desta moda que se propaga, como uma religião em que o sofrimento liberta. Discutível também o efeito sexy, na grande maioria das utentes, da exposição umbilical. Incontornável a necessidade de estar por dentro da novidade, de fazer parte do grupo da vanguarda, de se sentir na linha da frente da guerra da sedução, com as armas mais modernas disponíveis no mercado.

segunda-feira, abril 11, 2005

Viagens - Sun City ou A questão racial


Numa das minhas muitas viagens à África do Sul, nos finais dos anos oitenta, antes da libertação de Nelson Mandela, resolvi num sábado ir a Sun City. Costumava ficar no Landrost Hotel, depois Holiday Inn, em Joanesburgo. Ao fim de semana percorria os locais turísticos, tipo Centros Comerciais (East Gate, Sandton), Gold Reef City, o Museu, que até era perto do hotel. Naquele dia resolvi ir mais longe (400Km?) até a um protectorado chamado Bophutatswana onde estava esse paraíso do jogo e do espectáculo. Era mais ou menos no meio do deserto que estava aquela cidade artificial, e lá gastei uns rands nas slot machines, vi as vistas e à tarde regressei a penates.
Ao atravessar uma cidade no caminho de regresso excedi a velocidade limite de 50 Km/h, na avenida principal (ía a 62 Km/h). Fui convidade pelos agentes, de aspecto alemão, a ir ver a foto com a indicação da velocidade, a uma roulote umas centenas de metros antes, onde no sistema informático identificaram o dono do carro e a morada, e me entregaram o papel da multa. Tinha 30 dias para pagar senão o carro seria apreendido. Lá continuei viagem sem mais percalços e cheguei já de noite ao hotel. Ao jantar, no excelente restaurante do hotel, puxei do papel para analisar o conteúdo e tropeço no item raça (race?) e estava lá manuscrita uma palavra que eu lia BLACK. Li e reli e de regresso ao quarto olhei-me bem ao espelho. De facto estava queimado da praia (estávamos em Setembro), também tinham verificado que era português, e comecei a achar que tinham feito de propósito para me chatear. Nunca me dei bem nos contactos com os polícias que me mandam parar na estrada. Tentei ligar para a esquadra, mas qual?, e tropeçava num linguarejar estranhíssimo, o afrikaans, misto de alemão e holandês, completamente incompreensível. Desisti e fui dormir. Na 2ª feira, não resisti a contar a história na empresa onde estava a outro português residente há muitos anos naquelas paragens. Pediu-me o papel e depois de ler esclareceu, a rir, aqui diz BLANK, que é branco em afrikaans. Foi assim que voltei a ser branco outra vez, definitivamente!

quarta-feira, abril 06, 2005

Um olhar fulminante

Passados que foram 27 anos, volta a acontecer com outra menina que eu cá sei. "Detentora de uma personalidade vincada, quando contrariada, olha-nos com um olhar "fulminante" e por vezes responde mesmo não, mas acaba por acatar o que lhe é dito, não escondendo no entanto o seu desagrado. Com os colegas consegue brincar de forma cooperativa, mas quando quer algo ou quando as opiniões divergem facilmente recorre ao contacto físico" (extraído do "Boletim relativo a atitudes e desenvolvimento do aluno", enviado para casa).

sexta-feira, abril 01, 2005

Viagens – Kruger Park (África do Sul)


Em 1987, eu e a minha senhora, passámos três dias na selva. A primeira noite ficámos num bungalow, no interior de um acampamento junto ao Rio dos Elefantes, perto da fronteira com Moçambique. O tratamento era de encantar, os relvados e jardins magníficos. No dia seguinte estávamos prontos às cinco da manhã para tentar ver os animais antes do nascer do sol.

Viagens - Reykjavik (Islândia)


Em meados dos anos 80, em Dezembro, um pouco antes do Natal, chegámos, eu e o Américo, ao aeroporto da Portela, de regresso da Islândia, com 10 quilos de bacalhau cada um, em embrulhos muitos bem empacotados. Foi fácil passar na alfândega sem mais diligências, bastou anunciar o conteúdo para que o funcionário sorrindo nos desejasse um bom jantar de Natal.

terça-feira, março 29, 2005

Façam o favor de sair

(e de passar para o novo endereço http://pontedapedra.blogspot.com/)
1980 foi um ano de muitas crises. Transferido para Lisboa, afastado dos "bons ares do Barreiro", vivia o emprego inseguro na Av. da Liberdade, num período de euforia prenunciador da idade das trevas que se aproximava. Íamos então almoçar muitas vezes à Costa de Caparica (ao Barbas?), um grupo de gazeteiros encartados, o Joãozinho, o Américo, etc. etc. Uma dessas vezes regressávamos já atrasados, chuviscava um pouco, eu ao volante do R16 de serviço e, aí por alturas da Joaquim António de Aguiar com a Artilharia Um, olho para o relógio... já passava da hora de ir fazer um transbordo de crianças para o Instituto Alemão, compromisso que envolvia diversos outros filhos. Não me restou outra solução senão apelar à melhor compreensão dos outros quatro ocupantes para passarem, na qualidade de peões, a deslocarem-se para o destino, perto do Tivoli. Quanto a mim lá fui voando baixinho, Rua de S. Bento abaixo, transportar as criancinhas para o Campo de Sant' Ana.

segunda-feira, março 28, 2005

Viagem à roda do meu nome: De carrinha.

Fiz a primária num colégio chamado Jardim Infantil Luso-Suíço; o mais parecido com mandar as filhas estudar para a Suiça que os meus pais arranjaram. Ia para a escola na carrinha do Sr. Oliveira que tinha como "hospedeira" a D. Arlete (a quem todos nós chamávamos de "Arrelete", sabíamos lá dizer Arlete. ainda hoje não sei se é assim que se escreve, deve ser francês).

O Sr. Oliveira gostava de mim, apesar de eu ser uma terrorista, e convidava-me a sentar à frente, ao pé dele. Eu assim fazia, quase sempre, porque era uma grande distinção. O Sr. Oliveira também tinha a particularidade de, sempre que a viagem ia adiantada em relação aos horários impostos, parar no jardim em frente ao cemitério dos Prazeres e deixar-nos ir brincar por uns 20 minutos, sob a vigilância dele e da D. Arlete. Ele não queria ser, nem era, só o motorista da carrinha. A carrinha do Sr. Vieira nunca teve metade da piada.

Todos os dias, de manhã e à tarde e durante anos a fio, quando eu entrava na carrinha o Sr. Oliveira dizia "Olá Inês, estás cá outra vez?"

quinta-feira, março 24, 2005

Quem gosta?...

... do Bolo (de) Que o Pai Não Gosta?
Gostam todos os que já comeram este bolo, em forma de pão grande, feito com a massa do folar da Páscoa, e que a Avó(?) decidiu denominar desta maneira devido às grandes fatias do mesmo que o Pai consumia (vais com as ovelhas? perguntava ela na brincadeira). O que é certo é que se começou a comer todo o ano, sempre que lá vamos. Dizem que é muito bom com queijo (cruzes canhoto!) e em torradas. Entretanto a Avó continua a abastecer-nos dele, em quantidades apreciáveis, à hora de saída para o regresso, incluindo também a tortazita de chocolate, ou o que dela resta, as laranjas e outras especialidades.
Para quem não sabe, ou não se lembra, vou enumerar o que é/era costume trazer, para além desse bolo: rojões, leitão (o que sobra), torta de chocolate ou com recheio de ovos, nozes, laranjas, pêssegos (em conserva), favas e ervilhas (descascadas e congeladas), coelhos (arranjados e congelados), marmelada, geleia de marmelo, envelopes (recheados), feijão maduro, cerejas, tomates (inteiros congelados), lombo de porco, costoletas, farinheiras, chouriços de carne, e tudo o mais de que não me lembro agora.

segunda-feira, março 21, 2005

É de ir às Almas...

... comer leitão, que é pequeno, tenrinho e bem temperado. Também fomos verificar o desaparecimento da casa das "gafanhotas", onde estava o barbeiro, mesmo no centro da... cidade! Ficam as memórias de jogar ao "abafa", com o Vasco, nos degraus em frente ao alfaiate, pai dele, nas tardes de verão, ou de ver pôr a brôa a cozer, no forno a lenha, lá dentro daquele meandro de níveis e compartimentos (já tinha sido uma pensão), ou da argumentação, com o Toninho?, de quem era mais rico, que para o efeito tinha sentido pejorativo.

quarta-feira, março 16, 2005

Monte Kilimanjaro sem neve e gelo


O monte Kilimanjaro está sem neve e gelo pela primeira vez nos últimos 11 mil anos. Segundo a organização Climate Change, que distribuiu a fotografia aos ministros da Energia e do Ambiente que estão reunidos em Londres para discutir as alterações climáticas, este facto confirma a rápida mudança em curso sobre o maciço vulcânico, que tem 5892 metros e está situado entre o Quénia e a Tanzânia. Posted by Hello

Viagem à roda do meu nome: O chinês

Tinha eu uns seis meses e o meu primo Filipe quase dois anos. Fomos a casa dos meus tios e o Filipe, habituado a ser a coqueluche por ser o mais pequenito, começou a ficar muito incomodado com a atenção que me era dispensada. Preocupado com o seu território, tentou perceber como é que os adultos me chamavam e, às tantas, arriscou indo perguntar aos pais: "aquele bebé chinês hoje dorme cá?"

[isto é o que me contam porque eu não me lembro muito bem]

Estamos no Governo

Pois é, a Zeca e a Xanocas lá estão outra vez em missões de serviço público. A contribuir para a quota das mulheres, digo eu, machista por deformação. Até num Governo de mulheres lá teríamos também uma ministra, estamos cercados. Quanto aos Baptistas estão-lhes sempre reservadas tarefas na área da logística caseira: Por detrás de uma grande mulher está sempre um grande homem?

terça-feira, março 15, 2005

A chegada ao Porto


...
Em 1852, com a estrada Lisboa-Porto finalmente passível de ser utilizada sem grandes problemas - ainda em 1842, já com a nova estrada em construção, existiam troços "aonde a água chegava à barriga das cavalgaduras, por espaço de muitas braças" (uma braça correspondia a 2,2 metros) -, foi possível iniciar o serviço de Mala-Posta entre as duas principais cidades do Reino. Inicia-se assim, em 1855, a carreira da Mala-Posta entre Lisboa e o Porto, a única cuja exploração proporcionou, de facto, resultados proveitosos do ponto de vista económico.
...
Texto completo aqui

De Lisboa a Coimbra


Mala-Posta de Lisboa a Coimbra, 1798.
(Reconstituição a óleo por J. Pedro Roque, 1968) Posted by Hello

segunda-feira, março 14, 2005

Ponte a pé

Lá estivémos a abrilhantar o evento. Para mais pormenores ver aqui.

sexta-feira, março 11, 2005

Mala-Posta de Ponte da Pedra

Vejam aqui, na última linha, uma referência ao local que esteve na origem do nome deste blog. Parece que a Mala-Posta é anterior à Ponte da Pedra, mas passou a ser referenciada pela ponte, após a sua construção. Continuarei a investigar...

quinta-feira, março 10, 2005

Entrar no pesadelo

Primeira porta: Noite de domingo, depois de jantar, saíu de mota, a roncar como de costume. Toca o telefone: o seu filho teve um acidente. Quando cheguei estava estendido no chão, ainda com o capacete, no meio do cruzamento. Voou por cima daquele carro. Eu a espreitar pela viseira: Como é que estás? Estou bem pai. Era verdade!

Segunda porta: Olhava com ansiedade para o écran. Estávamos com aqueles presságios terríveis. O médico calado procurava em vão a vida, num coração a bater, como nos meses anteriores, em sessões em tudo idênticas. Não havia! Prometemos voltar, e voltámos, passados uns tempos, a ver um ponto a palpitar naquele écran, recriando as nossas esperanças.

terça-feira, março 08, 2005

Amor aos pedaços


Chico Buarque (1978)

1. Feijoada completa (Chico Buarque)
2. Cálice( Chico Buarque - Gilberto Gil) Participação: Milton Nascimento
3. Trocando em miúdos (Chico Buarque - Francis Hime)
4. O meu amor (Chico Buarque) Interpretação: Elba Ramalho / Marieta Severo
5. Homenagem ao malandro (Chico Buarque)
6. Até o fim (Chico Buarque)
7. Pedaço de mim (Chico Buarque) Interpretação: Zizi Possi
8. Pivete (Chico Buarque - Francis Hime
9. Pequeña serenata diurna (Silvio Rodriguez)
10. Tanto mar (Chico Buarque)
11. Apesar de você (Chico Buarque)

Pequenos nadas


Sérgio Godinho - Pano-Cru (1978)

1. A Vida É Feita de Pequenos Nadas
2. O Primeiro Dia
3. O Galo É o Dono dos Ovos
4. Balada da Rita (do Filme "Kilas, o Mau da Fita")
5. Venho Aqui Falar
6. Lá Isso É
7. Feiticeira
8. O Homem-Fantasma
9. 2.o Andar, Direito
10. Pano-Cru

segunda-feira, março 07, 2005

Almas censuradas


José Mário Branco - Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades (1971)

1. Abertura (Gare d'Austerlitz)
2. Cantiga para pedir dois tostões
3. Cantiga do fogo e da guerra
4. O charlatão
5. Queixa das almas jovens censuradas
6. Nevoeiro
7. Mariazinha
8. Casa comigo Marta
9. Perfilados de medo
10. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

sábado, março 05, 2005

Discos com histórias

São os do José Mário Branco, do Sérgio Godinho e do Chico Buarque, que adiante veremos. Recusando destinos traçados e controlo por poderes materiais, à procura de mandar na vida e de ser feliz. Muitas das suas canções pertencem-me portanto, os discos deixei-os em outras vidas.

sexta-feira, março 04, 2005

O outro "Malandro"

"O Malandro"
Kurt Weill - Bertolt Brecht (versão livre de Chico Buarque 1977/78)

O malandro/Na dureza
Senta à mesa/Do café
Bebe um gole/De cachaça
Acha graça/E dá no pé
O garçom/No prejuízo
Sem sorriso/Sem freguês
De passagem/Pela caixa
Dá uma baixa/No português
O galego/Acha estranho
Que o seu ganho/Tá um horror
Pega o lápis/Soma os canos
Passa os danos/Pro distribuidor
Mas o frete/Vê que ao todo
Há engodo/Nos papéis
E pra cima/Do alambique
Dá um trambique/De cem mil réis
O usineiro/Nessa luta
Grita(ponte que partiu)
Não é idiota/Trunca a nota
Lesa o Brasil/Do Brasil
Nosso banco/Tá cotado
No mercado/Exterior
Então taxa/A cachaça
A um preço/Assustador
Mas os ianques/Com seus tanques
Têm bem mais o/Que fazer
E proíbem/Os soldados
Aliados/De beber
A cachaça/Tá parada
Rejeitada/No barril
O alambique/Tem chilique
Contra o Brasil/Do Brasil
O usineiro/Faz barulho
Com orgulho/De produtor
Mas a sua/Raiva cega
Descarrega/No carregador
Este chega/Pro galego
Nega arreglo/Cobra mais
A cachaça/Tá de graça
Mas o frete/Como é que faz?
O galego/Tá apertado
Pro seu lado/Não tá bom
Então deixa/Congelada
A mesada/Do garçom
O garçom vê/Um malandro
Sai gritando/Pega ladrão
E o malandro/Autuado
É julgado e condenado culpado
Pela situação

Outra coisa

Estava a contar com uma coisa mais negra, dramática e violenta, com um humor essencialmente irónico. Era assim que imaginava a representação e acho que o filme também transmitiu essa imagem.

Acabou por ser um bocado revisteiro. Eu gostei, mas como se fosse outra coisa que não a "minha" Ópera do Malandro.

[Vamos lá ver se consigo pôr isto a tocar. Copiei quando passou por aqui.]

O Malandro revisitado


Letras e Músicas de Chico Buarque,1979

Melhor que nunca!
Só é pena que a audiência já tenha mais de 50, sinal de que o tempo não pára.
Ah, o amor! Como anda arredado das nossas vidas, ocupadas com coisas fúteis. E o desejo, onde se alimenta? Sim, porque o pecado mora sempre ao lado!

Da Ópera do Malandro, diz-se que é o melhor espectáculo musical: «Tem tudo, humor sem ser grotesco, romantismo, realismo, sentido de oportunidade, política. Esta é que é a Arte Total de Wagner, a total kunst ...», e ainda uma espécie de oráculo sobre os tempos vindouros: «Ali se vê o passado a ser enterrado pelo futuro que se adivinhava – aquele hedonismo marginal a ser substituído por outros ‘malandros’ executivos, com mais poder e mais incompetentes».